17 de junho de 2024

Por Arnaldo Bittencourt / Fotos: Marcus Lauria

Uma picape com características de SUV urbano… Esse é um conceito de picape que faz muito sucesso no Brasil, cujo nome técnico é “Sport Utility Pick-Up (SUP). Uma picape considerada “SUP” é capaz de combinar características típicas de SUV, como conforto e dirigibilidade, à força, robustez e praticidade de uma picape. A Toro foi lançada no Brasil em 2016, inaugurando o segmento por aqui. Foi um fenômeno em vendas desde o início.

CONFIRA O VÍDEO: https://youtu.be/RIFnx_cBUbE?si=PtgbqMciZXtvPqO-

Durante muitos anos reinou como a única opção do segmente, que hoje já conta com outras opções como Chevrolet Montana, Renault Oroch e Ford Maverick.  Em alguns países, como Chile, Colômbia, Peru e República Dominicana, a Toro é comercializada com a marca RAM. Nesses países a Toro chama-se RAM 1000. Mesmo em países onde a Toro não é vendida, o modelo gera discussão na imprensa especializada.

A plataforma sob a qual a Toro é construída denomina-se “Global Small-Wide”. Flexível e modular, apresenta uma estrutura reforçada monobloco, composta por materiais nobres, como aço de alta resistência. Graças ao projeto caprichado, essa plataforma confere à Toro alta rigidez torcional e durabilidade, além de excelente capacidade de absorção de impactos.

A principal novidade do modelo 2024 é a unificação da grade dianteira, antes reservada apenas às versões topo de linha “Ranch” e “Ultra. Agora todas as versões apresentam a bela grade com formato hexagonal e sem as hastes horizontais na altura do logo da marca, da versão “Endurance” à versão Volcano, que é a topo de linha com motor GSE 1.3 T270 Flex.

O restante do carro segue o padrão de design lançado em 2022, o que é bom, afinal continua atualizado e definindo tendências. Se o leitor prestar a atenção nos últimos lançamentos, verá que muitos carros nos últimos 3 anos saíram “com cara de Toro”. Não é difícil entender o motivo da Toro servir de inspiração para outros modelos.

O capô da Toro é imponente, com vincos bastante agressivos e marcantes, dando um aspecto de robustez para o carro. A grade da entrada de ar da versão testada (Volcano) em formado hexagonal e cromada reforça o visual robusto. Os faróis ficam integrados à grade e ao para-choque e são totalmente em led. Na parte superior há um filete também em led com dupla função: luz diurna de condução e seta. Os faróis de neblina são finos e são em LED.

Além disso, destacam-se as belas rodas aro 18 com acabamento diamantado que chamam a atenção no conjunto da carroceria.A versão testada contava com um item bastante exclusivo: sua carroceria era pintada na cor “cinza sting”, reservada pela Fiat para as versões topo de linha de seus carros. A cor realmente é bonita e a Toro nessa cor com seus cromados chama ainda mais atenção por onde passa.

A Toro Volcano “flex” segue utilizando o motor GSE 1.3 T270 de 185 cv e 27,5 kgfm. Quando configurado com esse motor, o carro traz uma caixa automática convencional de 6 marchas e tração 4×2. Pagando uma dezena de reais a mais, é possível adquirir a versão Volcano com o motor 2.0 turbodiesel de 170 cv e 35,7 kgfm, que é a única opção nas versões Ranch e Ultra.

O motor GSE 1.3 deixa a Toro 1s mais rápida no 0-100 km/h, quando comparado com o motor diesel (10.7s contra 11.6s, respectivamente). Na prática, a versão flex passa a impressão de ser bem mais rápida. O câmbio de 6 velocidades acoplado ao motor funciona muito bem, permitindo trocas de marcha rápidas, tanto no modo automático, quanto no modo manual (através de aletas no volante, ou através da alavanca localizada no console central). Há um botão no painel que ativa o modo Sport, deixando as trocas de marcha ainda mais rápidas.

Faço questão de registrar que a alavanca do câmbio permite a passagem de marchas da forma que considero a mais intuitiva, ou seja: puxando a alavanca na sua direção a marcha “sobe” e empurrando para frente a marcha “desce” ou “reduz”.Internamente, a Toro Volcano chama a atenção pela boa qualidade dos materiais, principalmente após a evolução que brindou o modelo 2022.

Em termos de conectividade, a Toro Volcano 2024 oferece carregador de smartphone em fio, uma central multimidia com tela de 8.,4 ou 10,1”. A tela maior na vertical estilo “Tesla” é opcional na Volcano, sendo um dos principais itens do chmado “pack tecnologia”. As multimidias, independente do tamanho da tela, oferecem suporte para Android Auto e Apple Car Play sem fio.

A Toro Volcano testada contava com o fantástico sistema de multimídia com tela de 10.1¨. Sim, a tela é gigante, parece que instalaram um tablet no painel do carro, no estilo dos carros fabricados pela montadora Tesla. Associado a competentes caixas de som, afirmo que a qualidade do som produzido pelo sistema de entretenimento da Toro Volcano é muito boa, mesmo se ele não é assinado por uma das marcas de som famosas da atualidade (Bose, Harman Kardon, Focal, etc).

Também é interessante ver o aplicativo de navegação ocupando por inteiro a tela do multimídia. Uma verdadeira maravilha, é de tirar o chapéu, sem exagero. Apesar do carro contar com um sistema de navegação próprio, preferi utilizar o Waze e o Google Maps, por uma questão de hábito.

Destaco também o fato de que os controles da climatização podem ser acessados tanto pelo multimídia, quanto por botões físicos logo abaixo da tela. Ou seja, nada de complicação na hora de configurar o ar-condicionado.

De série na versão Volcano, há também o sistema “Connect Me”, oferecido pela Fiat em parceria com operadoras de celular. Trata-se de uma linha telefônica que oferece conexão de internet 4G ao motorista e passageiros, via Wi-Fi, além de uma série de outros serviços, incluindo “concierge”. A plataforma pode ser usada livremente durante o período de cortesia disponibilizado pela montadora, devendo o proprietário após o encerramento desse período contratar os serviços à parte. Através de um aplicativo para smartphone e smartwatch, ou até mesmo através da Alexa, a conhecida Assistente Digital da Amazon, é possível ter acesso a uma série de informações do carro, bem como operar algumas funções.

Em matéria de tecnologia, a Toro ainda oferece um cluster (painel de instrumentos) digital com tela de 7” TFT oferecido de série em todas as versões. Super completo, o painel é de fácil visualização e operação. Apesar de recomendável, não é necessário ler o manual para descobrir todas as suas funções. Para aqueles que gostam de acompanhar o desempenho do carro, vale destacar a interessante configuração de mostradores que apresenta o percentual de potência e torque produzidos pelo motor no momento, além de um pequeno indicador de força “G”, permanecendo o velocímetro e conta-giros visíveis a todo momento. Confesso que essa foi a configuração de painel que mais utilizei durante o tempo que fiquei com o modelo. A Toro Volcano com o “pack tecnologia” também oferece um sistema de frenagem autônoma de emergência, aviso de mudança de faixa, além de comutação automática dos faróis (baixo para alto, sempre que a via permitir).

A Toro oferece 6 airbags de série (frontais, laterais e cortina). Já o airbag de joelho a Toro vai ficar devendo.. O sistema de frenagem de emergência se faz presente na versão Volcano com o “pack tecnologia” e é bastante atuante. Dependendo do estilo de ultrapassagem do motorista, o sistema entra em ação e alerta que há um obstáculo à frente e que o motorista deve considerar frear para evitar acidentes. Se o sistema entender que o risco de acidente é real, ele aciona os freios de modo a minimizar o impacto, ou até evitá-lo, se possível.

O freio de mão da Toro Volcano é convencional, estando, portanto, pronto para funcionar quando puxado. Simples, direto, menos propenso a falhas. Ponto positivo, na minha opinião. Abaixo dos botões da climatização, a Toro apresenta um teclado que permite configurar o modo SPORT (aí sim, deixar o carro mais esperto é sempre positivo!), TC+ (exerce função similar ao sistema de bloqueio de diferencial das rodas conhecido como Locker, porém realizado de forma eletrônica pelo controle de estabilidade), além de botão de “alerta”, desativar o sensor de estacionamento e desativar o auxiliar de manutenção em faixa.

A Toro Volcano não conta com piloto automático adaptativo, infelizmente. Não é algo essencial, mas pelo preço da Volcano acredito que deveria oferecer. Em movimento, a Fiat Toro se mostra agradável de guiar. A suspensão é macia e absorve bem as imperfeições do asfalto, sem transmitir para a cabine pancadas secas desagradáveis. Na dianteira a suspensão traz o consagrado sistema McPherson, enquanto na traseira há uma sofisticada solução multilink, garantindo conforto e agilidade nas ruas e estradas.

A caçamba da Toro Volcano tem um bom tamanho. São 820 litros de capacidade, sendo que o carro suporta até 750kg de carga (100kg a mais que a versão anterior). As versões a diesel carregam mais peso, alcançando 1000kg de capacidade. Considero, entretanto, que 750kg é suficiente para a proposta do carro. Durante a minha experiência com o carro, usei a caçamba para transportar a minha bicicleta aro 29, que coube na caçamba com facilidade, não sendo necessário desmontar nada. Ainda em relação a caçamba, é importante ressaltar que, mesmo com a capa marítima original, fabricada pela MOPAR, água e poeira podem invadir a caçamba. Esse aviso consta, inclusive, no manual do carro. A boa notícia é que há uma solução no mercado da marca Keko que elimina 90% da infiltração de água. A solução não é cara, vale muito a pena na minha humilde opinião.

Partindo dos R$172 mil (versão Volcano Flex sem opcionais e cor sólida), pode-se dizer que a Toro segue liderando o seu segmento e dando muito trabalho para as concorrentes. Custa mais caro, é verdade, mas também é mais refinada, maior, mais bem construída para uso pesado e com mais capacidade de carga do que suas concorrentes mais próximas (Chevrolet Montana e Renault Oroch).

A verdade é que as outras montadoras ainda não conseguiram domar a Toro. Vira e mexe surge um boato de que uma concorrente de peso está chegando do exterior, mas o fato é que essa opção matadora ainda não chegou.

*FICHA TÉCNICA:

Mecânica

Motorização 1.3

Combustível Álcool            Gasolina

Potência (cv)            170    

Torque (kgf.m)          35,7   

Consumo cidade (km/l)      10      

Consumo estrada (km/l)     12,6   

Câmbio          automática com modo manual de 6 marchas

Tração           dianteira

Direção          elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira             Suspensão tipo multibraço e traseira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Dimensões

Altura (mm)   1.732

Largura (mm)            1.844

Comprimento (mm) 4.945

Tanque (L)     60

Entre-eixos (mm)     2.990

Ocupantes    5

*Dados do fabricante

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