Violência contra mulher é tema em Meriti: Baixada teve maior número de mulheres assassinadas no estado em 2014

O debate ressaltou a importância de investir na cultura para combater a violência Foto: Gabriele Souza

O debate ressaltou a importância de investir na cultura para combater a violência
Foto: Gabriele Souza

Na manhã de ontem (30), a Casa da Cultura de São João de Meriti recebeu representantes da ONU Mulheres. Pela primeira vez na Baixada Fluminense, Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres, debateu com representantes do gênero sobre a posição da mulher no mundo de hoje. O evento contou ainda com a presença de Maria Adelaide de Deu, presidenta da Casa da Cultura; Leila Regina Soares, Assessora de Raça e Gênero da Casa da Cultura; Sandra Ornellas, delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher de São João de Meriti e Quiton Devlin, Conselheiro e Vice-Chefe de Missão da Embaixada da Austrália.

Celebrando o Dia Nacional da Mulher, comemorado em 30 de abril, o tema do encontro foi “Violências cotidianas sofridas pelas mulheres da Baixada Fluminense – Um olhar sobre a violência doméstica e de gênero”. Para a presidenta da Casa da Cultura, a realização do evento promovido pela casa ressalta a importância do trabalho da equipe. “Essa iniciativa mostra a importância do nosso trabalho, não só para o município de São João de Meriti, como para a região”, disse Maria Adelaide.
Segundo Nadine Gasman, da ONU Mulheres, a Organização tem intensificado o debate político sobre o desenvolvimento da regularidade de gênero no mundo durante os próximos 15 anos. “Esse é o futuro que precisamos construir para a sociedade, uma divisão igualitária em 50% no gênero”, destacou a representante da ONU. Gasman frisou que apesar de uma forte relação com o estado do Rio de Janeiro, é primeira vez que participam de um encontro na Baixada Fluminense. “Nós temos uma grande ligação com o Rio de Janeiro, mas é a primeira vez que viemos para a Baixada. Tenho certeza que esse encontro vai despertar grandes sentimentos de lutas nas mulheres daqui”, complementou Nadine Gasman.

Nadine Gasman: defende um futuro com divisão igualitária em 50% do gênero

Nadine Gasman: defende um futuro com divisão igualitária em 50% do gênero

A ONU Mulheres, foi criada para apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, e ajudar os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. A representante da ONU explicou ainda que as ações da Organização são pautadas em três eixos: política, autonomia econômica e violência contra as mulheres.
A Austrália é o país que tem o maior avanço na política da mulher. Quiton Devlin, representante da missão da Embaixada da Austrália, disse que o país tem os mesmos problemas que o Brasil, mas que eles são tratados de formas diferentes. “A diferença do Brasil para a Austrália é a maneira como tratamos os problemas. Na Austrália investimos em cultura e em um plano de ação para o combate a violência contra mulher”, declarou Devlin.
Representando as Delegacias Especializadas em Atendimento a Mulher, Sandra Ornellas, delegada titular da DEAM de Meriti apresentou números que mostram a posição da mulher na Baixada. “A imagem da mulher como objeto sexual é a pior e mais difícil de ser combatida. Ela está culturalmente induzida na cabeça do ser humano e essa violência mais perversa”, disse a delegada.
Segundo Sandra, em São João de Meriti não existe um juizado especializado para atendimento a mulher como a lei determina. “O juizado de São João de Meriti não tem funcionários necessários para combate a lei de violência doméstica. Com a demora do atendimento a mulher, o xingamento vira agressão, que pode virar um homicídio”, disse a delegada.
Ainda segundo a delegada titular, a mulher precisa ter noção de que está sendo violenta. Muitas delas chegam desfiguradas relatando que apanharam do marido por ele achar que estava sendo traído. Segundo o Dossiê da Mulher 2015, cerca de duas mil mulheres foram violentadas na Baixada Fluminense entre os anos de 2010 e 2014.
Mesquita e Caxias representam 65% dos assassinatos de mulheres

A comemoração do Dia Nacional da Mulher coincide com a liberação da décima edição do Dossiê Mulher, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. O documento mostra que o número de mulheres assassinadas no estado do Rio cresceu 18% em 2014, na comparação com o ano anterior, e a maior ocorrência desse tipo de crime foi em cidades da Baixada Fluminense. Principalmente Mesquita e Duque de Caxias que, somadas, tiveram aumento 65% em crimes contra a mulher, comparado a 2013.
O documento também mostra que as mulheres são a maioria das vítimas em crimes como agressão (no qual elas são 64%), ameaça (65,5%) e injúria, calúnia ou difamação (73,6%). O Dossiê mostrou também que a região do 20º BMP que abrange os municípios de Mesquita, Nilópolis e Nova Iguaçu foi a que teve o maior número de vítimas registrados, com 45 casos.

Por: Gabriele Souza (gabriele.souza@jornalhoje.inf.br)

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