Dia Nacional do Luto: especialistas defendem importância de falar sobre a dor da perda

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Embora seja uma experiência inevitável e universal, o luto ainda é tratado como tema desconfortável. A dificuldade em falar sobre o assunto e expressar sentimentos relacionados à perda faz com que muitos enfrentem o sofrimento em silêncio, sem o acolhimento necessário para atravessar um momento delicado. No Dia Nacional do Luto – 19 de junho, especialistas reforçam a importância de ampliar o debate sobre o tema e criar espaços de escuta e acolhimento para quem perdeu um familiar, amigo ou até um animal de estimação. Para a psicóloga do grupoMED, parceira do grupo OAF, Marília Fernandes, o processo de luto é uma resposta natural à ruptura de um vínculo afetivo significativo. “Cada um vivencia a perda de maneira única. Não existe prazo ou forma certa de sofrer. O mais importante é permitir-se sentir e compreender que o luto faz parte da adaptação a uma nova realidade”, explica.

Marilia destaca que o processo pode envolver diferentes reações emocionais, como tristeza profunda, saudade, culpa, raiva, ansiedade e até dificuldades de concentração e alterações no sono. “As fases descritas nos estudos sobre o luto não acontecem necessariamente em uma ordem específica. O processo é dinâmico e individual”, afirma.

Outro aspecto considerado fundamental para a elaboração da perda são os rituais de despedida. Velórios, cerimônias religiosas, homenagens e memoriais ajudam a reconhecer a realidade da morte e iniciar a adaptação emocional.

De acordo com a CEO do Grupo OAF, Karla Monielly, houve mudanças significativas na forma como as famílias lidam com esses momentos. “Existe uma busca crescente por serviços mais humanizados, que respeitem as crenças, os desejos e a história de cada um. O ritual não é só mais um protocolo e passa cada vez mais a representar um importante momento de acolhimento e celebração da vida”, observa.

Karla ressalta que nos últimos anos, também aumentou a valorização de cerimônias personalizadas, permitindo que familiares expressem sentimentos e compartilhem memórias de forma mais significativa.

O apoio da rede de convivência é outro fator essencial. Marília Fernandes orienta que familiares e amigos evitem frases prontas ou tentativas de minimizar a dor. “Mais é estar presente, ouvir sem julgamentos e respeitar o tempo da pessoa enlutada”, aconselha.

Embora o sofrimento seja esperado após a perda, alguns sinais podem indicar a necessidade de acompanhamento psicológico. Quando a tristeza intensa persiste por períodos muito longos, há isolamento social, dificuldade de retomar atividades cotidianas ou sofrimento emocional incapacitante, a ajuda profissional pode ser fundamental.

Para os especialistas, falar sobre o luto é uma forma de combater o estigma que ainda cerca a morte e permitir que as pessoas encontrem acolhimento em um dos momentos mais difíceis da vida.

“Reconhecer a dor da perda não significa permanecer nela, mas dar espaço para que a saudade encontre caminhos saudáveis de expressão e ressignificação”, explica Marília.

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