Ler um livro, levar uma história para casa, conquistar uma estrela ou marcar mais um “gol”. Na Escola Municipal Flor de Lis, em Nova Iguaçu, essas são algumas das estratégias usadas para tornar o processo de alfabetização mais próximo da realidade das crianças. Alunos do 1º e 2º ano participam de projetos como “Pelotão da Leitura”, “Lendo com o Senhor Alfabeto” e “Ler é um Gol de Campeão”, que estimulam a leitura, a escrita e a autonomia de forma lúdica.
No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado nesta terça-feira (8), o trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED) mostra como diferentes estratégias podem contribuir para o desenvolvimento da escrita e para a formação crítica das crianças. Na escola, os projetos despertam o interesse pelos livros e pelas palavras, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada estudante.
A parceria com o Instituto Ayrton Senna também contribui para fortalecer as ações de alfabetização e aprendizagem na rede municipal. No programa Se Liga, voltado à correção da distorção entre idade e série, os resultados já aparecem. A proporção de estudantes nos níveis mais baixos de Língua Portuguesa caiu de 60% para 36%, enquanto a média de livros lidos por aluno passou de 1,5 para 3,9. No Acelera Brasil, o desempenho da escrita avançou de 38% para 58%, enquanto a média de livros lidos por aluno aumentou de 2,3 para 4,4.
Para a secretária municipal de Educação, Virgínia Rocha, a proposta da escola é tornar a alfabetização um processo que estimule também a autonomia e a capacidade das crianças de compreender e se expressar no mundo.
“A alfabetização é uma etapa fundamental na formação dos nossos alunos. Projetos como esses mostram que, com criatividade e participação, é possível tornar a aprendizagem mais prazerosa, lúdica e com intencionalidade pedagógica em cada passo. Nossos resultados estão avançando, mas sabemos que o processo é contínuo e precisamos avançar cada vez mais, fortalecendo sempre a autonomia e o interesse dos estudantes pela leitura”, afirmou.
No 2º ano, a professora Márcia Mendes criou o “Pelotão da Leitura”, que transforma cada livro lido em uma conquista. Os próprios alunos escolhem as obras que querem ler e só podem trocá-las depois de concluir a leitura.
“Nada na educação acontece por acaso. O Pelotão da Leitura surgiu para representar que ler e aprender são desafios constantes e que, todos os dias, temos uma vitória. É gratificante ver o entusiasmo delas e perceber que, pouco a pouco, a leitura se torna parte da rotina”, contou.
A estudante Sophia Alcântara, de 11 anos, já leu 25 livros com a ajuda do projeto. Para ela, além de aprender, os momentos de leitura também se tornaram uma forma de compartilhar experiências com a família.
“É muito legal, porque eu me distraio com os livros e gosto muito de ler. Quando levei um deles para casa e meu pai me viu lendo, ele ficou muito emocionado e feliz”, contou.
Leitura que vai para casa
No 1º ano, a professora Joyce Bastos desenvolve o projeto “Lendo com o Senhor Alfabeto”, que aproxima os alunos dos livros desde os primeiros passos da alfabetização. A cada semana, uma criança leva para casa um livro e o mascote da turma, criando também um momento de participação da família.
“O projeto tem como objetivo incentivar as crianças a criarem o gosto pela leitura. Mesmo ainda estando no processo de alfabetização, elas já começam a vivenciar a magia dos livros e a desenvolver o interesse pela leitura”, disse.
Outra estratégia desenvolvida com os alunos do 1º ano é o “Ler é um Gol de Campeão”, criado pela professora Roberta Frisso para estimular crianças que apresentavam dificuldades no processo de alfabetização.
Cada estudante precisa ler para cinco pessoas diferentes e conseguir um autógrafo de cada uma. Depois, a leitura é apresentada à professora e rende estrelas no caderno e em uma tabela de pontuação. Ao completar cinco leituras, o aluno recebe ainda um broche em formato de estrela.
“Começamos o projeto a partir da dificuldade que algumas crianças apresentavam em aprender pelo método tradicional. Então, buscamos uma forma mais divertida de incentivá-las. A cada leitura, elas percebem que são capazes de avançar e conquistar mais um gol”, concluiu.

















