As razões da polarização política

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São inúmeras as razões para estarmos vivendo um processo de radicalização política.

Os jornalistas acompanham diariamente os fatos e, ao reproduzi-los, acabam também refletindo o clima de tensão que domina o ambiente político.

Os sociólogos tentam, por outro prisma, interpretar essa nova realidade, oferecendo uma análise mais elaborada sobre as transformações da sociedade.

Os historiadores, mais afastados dos acontecimentos, certamente nos oferecerão, no futuro, uma visão mais conclusiva sobre este período, quando o vendaval tiver passado e for possível enxergar os fatos com maior distanciamento.

Por último, estão os políticos, protagonistas dessa realidade, que atuam diariamente no sentido de ampliar o debate e, muitas vezes, aprofundar a crise.

Nesse momento, muitos sabem que está em jogo uma questão de sobrevivência política. Acreditam que a omissão ou a neutralidade podem ser interpretadas como perda de espaço, fraqueza ou falta de posicionamento.

O lema parece ser:

“RADICALIZAR É PRECISO.”

O período pré-eleitoral, com a facilidade de manifestação de opiniões assegurada pelas redes sociais, contribui para o aumento desse processo de radicalização.

A polarização no plano nacional vem se estendendo também para os Estados. No caso excepcional do Estado do Rio de Janeiro, sob o comando interino do desembargador Ricardo Couto, o cenário político passou a apresentar características próprias.

Nesse ambiente, os candidatos mais bem posicionados enfrentam a necessidade de construir suas próprias estratégias de campanha e de disputar um eleitorado cada vez mais dividido.

Eduardo Paes, que aparece à frente em pesquisas recentes para o governo estadual, tem adotado uma postura própria em relação à disputa. Embora conte com o apoio do presidente Lula, mantém, até aqui, uma estratégia política que procura preservar sua autonomia. Não ignora o presidente; apenas o contempla de longe, mantendo um estilo semelhante ao de alianças que marcou suas trajetórias políticas anteriores.

Douglas Ruas, ao contrário, avançou de forma mais explícita para o campo político identificado com o bolsonarismo e vem apresentando crescimento nas pesquisas.

A possibilidade de um segundo turno mantém aberta uma disputa que ainda pode produzir novos movimentos e mudanças de estratégia. O processo político-eleitoral é dotado de uma realidade implacável: a dinâmica das campanhas, das alianças, das redes sociais e do comportamento do eleitor pode produzir surpresas e contrariar até mesmo as previsões dos marqueteiros e dos experientes pesquisadores eleitorais.

A política, afinal, não é uma ciência exata. Entre o fato, a narrativa e a percepção do eleitor existe um espaço imprevisível — e é justamente nesse espaço que muitas vezes se decide o destino de uma eleição.

Jorge Gama é Advogado e ex-Deputado Federal.

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