Entre as muitas cores que marcam o mês de setembro, está o verde! – A campanha Setembro Verde, em alusão ao Dia Nacional da Doação de Órgãos, comemorado no dia 27, é uma iniciativa nacional para conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e de tecidos. O principal objetivo da campanha é incentivar as pessoas a conversar com suas famílias sobre o desejo de serem doadores, já que a autorização para a doação de órgãos, em caso de morte, é feita pela família.
Nesses quase cinco anos de municipalização, o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN) registrou a captação de mais de 700 órgãos e tecidos. O hospital, administrado pela Prefeitura de Duque de Caxias, é a principal referência estadual em atendimento de trauma, urgência, emergência e alta complexidade.
Por meio da Equipe Hospitalar de Doação para Transplante (e-DOT), o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, segue como referência, mantendo-se no top 10 nacional em captação de órgãos. No ranking estadual de 2026, até o momento, o HMAPN segue em primeiro lugar, com mais de 100 órgãos captados. É importante destacar que os órgãos captados salvam vidas de receptores que aguardam na fila de transplante, não só do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil.
O trabalho da e-DOT envolve busca ativa, apoio ao diagnóstico, apoio na manutenção hemodinâmica do potencial doador, acolhimento familiar, articulação com a rede de transplantes e desenvolvimento de ações educativas. A equipe atua na organização do processo de doação e na disseminação de informações que podem contribuir para transformar vidas. O HMAPN reafirma, assim, seu papel de destaque na captação de órgãos e na construção de um sistema de transplantes cada vez mais estruturado no Rio de Janeiro.
Transformando a dor em solidariedade – A autorização dos pais do menino Miguel, de 11 anos, vítima de atropelamento no início de setembro deste ano, para a doação dos seus órgãos ocorreu em um momento de profunda dor. Após passar pelo acolhimento do e-DOT e obter a confirmação do protocolo hospitalar de morte encefálica, sua mãe Tatiane Borges da Fonseca, moradora de Magé, decidiu transformar a dor em gesto de solidariedade, permitindo a captação dos órgãos para que eles pudessem ser destinados a pacientes que aguardam por um transplante. A doação de órgãos depende da autorização familiar e representa uma das etapas mais importantes do processo de transplantes no Brasil.
“Eu agradeço ao acolhimento que tivemos aqui no hospital, desde a internação até a confirmação da morte do Miguel. A doação foi uma decisão que tomei consciente porque meu filho era muito amado e não achei justo eu enterrar meu filho sabendo que, com a doação dos órgãos, ele poderia salvar muitas vidas. Eu senti que essa era também a vontade de Deus. Me alivia muito saber que tem um pedacinho do meu filho ajudando outras crianças a viver”, declarou, emocionada, a mamãe Tatiane Borges.
Outro caso de destaque na captação de órgãos, realizado no mês de setembro no HMAPN, também envolve uma criança, e possibilitou um feito inédito para a medicina do Rio de Janeiro: a realização do primeiro transplante isolado de intestino, marcando um avanço histórico para os transplantes no estado. Após o acompanhamento da e-DOT e a autorização dos pais, a captação do intestino foi conduzida pelo Dr. Eduardo Fernandes, chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Adventista Silvestre, em uma operação de alta complexidade que envolveu profissionais de diferentes áreas. O procedimento de transplante foi realizado com sucesso e com o órgão em pleno funcionamento, representando um importante avanço para pacientes com falência intestinal.
Seja um(a) doador(a) de órgãos – Para ser um(a) doador(a), é preciso conversar com a família sobre esse desejo e deixar claro que os familiares devem autorizar a doação de órgãos. Pela legislação brasileira, não há como garantir efetivamente a vontade do(a) doador(a); mas, segundo o Ministério da Saúde, na maioria dos casos, quando a família tem conhecimento do desejo de doar do parente falecido, esse desejo é respeitado. A doação de órgãos é gratuita e não tem compensação financeira.
“Quando um paciente grave chega em suspeita de morte encefálica na unidade, logo buscamos os familiares para explicar o quadro clínico, o que é morte encefálica e quais as etapas para se chegar a esse diagnóstico. É importante ter empatia, ética e respeito. É sempre fundamental nos colocarmos no lugar dessas famílias. Esse acolhimento diferenciado, permite também a criação de um vínculo com as famílias, trabalhando também seus lados emocionais. Quando esse atendimento humanizado é realizado, a doação de órgãos acaba se tornando uma consequência. Quando temos uma equipe formada por profissionais altamente capacitados e com acolhimentos precoces, esse resultado se torna muito mais eficaz”, destaca Gilberto Malvar, coordenador da e-DOT na unidade.
O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes está localizado na Rodovia Washington Luiz, km 109, no bairro Jardim Primavera, em Duque de Caxias.

















