Texto: Sérgio Dias / Fotos: Marcus Lauria
O Geely EX2 disputa um espaço que se tornou estratégico para a expansão dos automóveis elétricos no Brasil: o dos modelos compactos destinados principalmente ao uso urbano. Disponível nas versões Pro, por R$ 123.800,00 e Max, por R$ 136.800,00 o modelo oferece 289 quilômetros de autonomia pelo Inmetro, motor elétrico traseiro de 116 cv e 150 Nm e bateria de 39,4 kWh. A combinação entre dimensões externas, capacidade para cinco ocupantes e dois compartimentos para bagagem coloca o EX2 como alternativa para quem considera incorporar a eletrificação à rotina sem migrar para um veículo de maior porte.
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Nesse mercado, o EX2 encontra BYD Dolphin Mini e Dolphin, Chevrolet Spark EUV e GAC Aion UT, cada um procurando responder de maneira diferente à questão do custo e da utilização de um elétrico no Brasil. O Geely mede 4,135 metros de comprimento, 1,805 metro de largura e tem 2,650 metros de entre-eixos. O porta-malas traseiro comporta 375 litros e chega a 1.320 litros com os bancos rebatidos, enquanto um segundo compartimento, sob o capô, oferece outros 70 litros. A produção nacional no Complexo Ayrton Senna, no Paraná, acrescenta outro componente à estratégia do modelo no mercado brasileiro.

As duas versões compartilham bateria LFP, tração traseira, suspensão independente McPherson na dianteira e multilink na traseira, seis airbags e central multimídia FLYME AUTO de 14,6 polegadas. A Pro já oferece saídas de ar para o banco traseiro, freio de estacionamento eletrônico e os dois porta-malas. A Max acrescenta piloto automático adaptativo, alerta de mudança de faixa, frenagem automática de emergência, câmera panorâmica de 540 graus, ajuste elétrico do banco do motorista, carregador por indução, rodas de 16 polegadas, teto preto e conectividade com o aplicativo da Geely.
Foi principalmente no trânsito da Região Metropolitana de São Paulo que procurei entender a proposta do EX2. Em vez de planejar uma viagem longa para testar autonomia, concentrei a avaliação nas atividades do dia a dia, exatamente onde considero que um automóvel elétrico apresenta atualmente algumas de suas principais vantagens. Também percorri trechos rodoviários, mas mantive os deslocamentos pouco acima dos 60 quilômetros, sem transformar a disponibilidade de pontos públicos de recarga em uma preocupação durante a experiência.

Na cidade, a condução elétrica simplifica uma rotina marcada por paradas, retomadas e congestionamentos. O torque disponível desde o acionamento do acelerador ajuda nas saídas, enquanto a ausência das trocas de marcha torna o deslocamento contínuo. A tração traseira é outra característica pouco comum entre os concorrentes dessa faixa de mercado. Somada à suspensão independente nas quatro rodas e ao raio de giro de 4,95 metros, ela contribui para um automóvel pensado para circular por ruas, avenidas, estacionamentos e espaços onde a capacidade de manobra tem importância prática.
Os 116 cv não transformam o EX2 em um modelo voltado ao desempenho, nem essa me parece ser sua proposta. O 0 a 100 km/h ocorre em 10,2 segundos e a velocidade máxima é de 140 km/h. Na utilização cotidiana, interessa mais a maneira como os 150 Nm estão disponíveis para acompanhar o fluxo. Os modos Eco, Comfort e Sport permitem alterar as respostas conforme a situação, enquanto o sistema de regeneração recupera energia durante desacelerações. Para o tipo de percurso que realizei, o conjunto mostrou coerência com a utilização urbana para a qual o modelo foi desenvolvido.

A autonomia homologada de 289 quilômetros também precisa ser observada sob essa perspectiva. Para quem dispõe de carregamento em casa ou no trabalho e realiza deslocamentos urbanos, a necessidade de procurar um carregador público pode diminuir consideravelmente. A bateria aceita recarga em corrente contínua de até 70 kW, permitindo passar de 30% para 80% em aproximadamente 21 minutos nas condições indicadas pela fabricante. Em corrente alternada, a potência é de 6,6 kW e a carga de 10% a 100% leva cerca de 6,5 horas.
Minha experiência também reforçou uma questão pessoal que considero importante registrar. Ainda não me sinto plenamente seguro para depender da infraestrutura pública de carregamento em viagens mais longas com um veículo elétrico. Reconheço, porém, que essa rede evoluiu e continua avançando. Não considero essa percepção uma limitação específica do EX2, mas uma variável que ainda pesa na minha decisão de viajar com qualquer elétrico. Por isso, preferi avaliá-lo dentro da Região Metropolitana, onde pude concentrar a análise no carro e não na procura pelo próximo carregador.

Essa escolha acabou evidenciando outro atributo do EX2: aproveitamento de espaço. Os 375 litros do porta-malas traseiro atendem às tarefas cotidianas, enquanto os 70 litros dianteiros criam uma segunda área para transportar objetos. Há ainda 28 litros de armazenamento sob o banco traseiro e porta-luvas em formato de gaveta com 10 litros. Para um veículo de 4,135 metros, essas soluções ajudam a aproveitar a área disponível e reforçam a proposta de utilização diária.
A tecnologia acompanha essa abordagem. A tela de 14,6 polegadas trabalha com painel digital de 8,8 polegadas e oferece Apple CarPlay e Android Auto. Na Max, versão com maior conteúdo, entram recursos de assistência que fazem diferença justamente no ambiente em que concentrei a avaliação, como piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência e câmera 540 graus. A Geely oferece ainda garantia de seis anos ou 150 mil quilômetros para o veículo e oito anos ou 150 mil quilômetros para a bateria.
Ao concluir minha avaliação do Geely EX2, três pontos ficaram em evidência. O primeiro é a praticidade no ambiente urbano, onde propulsão elétrica, dimensões e raio de giro trabalham a favor do uso cotidiano. O segundo é o aproveitamento do espaço, com porta-malas traseiro de 375 litros, compartimento dianteiro de 70 litros e áreas adicionais na cabine. O terceiro é o conjunto formado por tração traseira e suspensão independente nas quatro rodas. Como ponto que pode ser melhorado, considero que uma autonomia maior ampliaria minha confiança para avançar além da utilização metropolitana e planejar viagens sem depender tanto da infraestrutura pública. Dentro da cidade, porém, foi justamente essa avaliação que me mostrou onde um elétrico como o EX2 consegue transformar suas características técnicas em vantagens percebidas no dia a dia.

*FICHA TÉCNICA:
Motor e Desempenho
- Motor: Elétrico traseiro (tração traseira)
- Potência: 116 cv
- Torque: 150 Nm (ou ~15,3 kgfm)
- Aceleração 0 a 100 km/h: 10,2 segundos
- Velocidade máxima: 140 km/h
Bateria e Autonomia
- Tipo de bateria: LFP (Lítio-Ferro-Fosfato) de 39,4 kWh
- Autonomia: 289 km (padrão INMETRO)
- Recarga:
- AC (corrente alternada): até 6,6 kW
- DC (corrente contínua): até 70 kW (30% a 80% em cerca de 21 minutos)
Dimensões e Capacidades
- Comprimento: 4,13 m
- Largura: 1,80 m
- Altura: 1,58 m
- Entre-eixos: 2,65 m
- Altura livre do solo: 16 cm
- Peso: 1.300 kg
- Ocupantes: 5 lugares
- Porta-malas: 375 litros (até 1.320 litros com bancos rebatidos) + 70 litros de fronta-malas + 28 litros sob o banco traseiro
Principais Equipamentos da Versão Max
- Design e Exterior: Rodas de liga leve de 16” (pneus 205/60), pintura bicolor com teto preto, faróis e lanternas em LED, maçanetas semi-embutidas.
- Interior e Tecnologia: Central multimídia FLYME AUTO de 14,6″, painel de instrumentos digital de 8,8″, carregador por indução, luz ambiente dinâmica com 256 cores, console central elevado e banco do motorista com ajuste elétrico de 6 vias.
- Segurança e ADAS: 6 airbags (frontais, laterais e de cortina), Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC), Controle de Tração (G-TCS), assistentes de rampa (HAC/HDC), câmera panorâmica 540°, Piloto Automático Adaptativo (ACC), Alerta de Mudança de Faixa (LDW), Frenagem Automática de Emergência (AEB) e farol alto inteligente (IHBC).
- Garantia: 6 anos para o veículo e 8 anos (ou 150.000 km) para a bateria.
- Preço de referência: Aproximadamente R$ 135.100 a R$ 136.800 (conforme tabela de lançamento/região).
*Dados do fabricante

















