Operação Lava Jato e Olimpíadas

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*André Braga

O Brasil vive o clima das Olimpíadas. A festa será um sucesso, não apenas para os que participam, mas, e sobretudo, também aos que tiveram condições de adquirir ingressos nas mais diversas modalidades esportivas; os que não tiveram este privilégio, acompanharão os jogos pelas diversas transmissões abertas e também pelos canais pagos, com suas tecnologias que revelam em mínimos detalhes, toda a gama de informações adicionais.
Impossível subtrair-se ao avalanche de informações de uma grande rede de televisão nacional sobre o assunto.
O que se transmite diuturnamente leva o telespectador a imaginar que o Brasil se destacará com um grande número medalhas olímpicas, haja vista o evento estar sendo realizado no Rio de Janeiro e em algumas cidades do Brasil. Não é assim.
Aliás, tivemos o exemplo recentíssimo na Copa do Mundo de Futebol e parece que não aprendemos a lição.
Noutro cenário, o que não é desconhecido do Presidente do Comitê Olímpico, o Brasil vive uma das mais graves crises política e econômica. A Olimpíada do Brasil é outra.
É o desafio do crescimento, o mínimo patamar para alavancar-se do fundo do poço. O recorde que mais de 200 milhões de brasileiros desejam, ou ainda, uma medalha, até mesmo de bronze, que já haverá muito a comemorar.
As dificuldades são semelhantes aqui e na verdadeira Olimpíada.
É preciso muita dedicação, determinação, treino e mais do que tudo isso, compromisso com o resultado pretendido. Para tanto, faz-se premente almejar o objetivo, conhecer onde se pretende chegar e, com destreza, alcançar o resultado; é claro, a sorte ajuda muito e isto nós temos pelo país privilegiado com suas infinitas riquezas naturais.
Longos são os anos de amadorismo e desprezo pela realidade. Vivemos num eterno campo de experimentações. Não fosse o valor do regime democrático, estaríamos à mercê de tentativas sucessivas de verdadeiros golpes.
Não, não temos golpe, como muitos podem se apressar a imaginar. Há um processo regular de afastamento da presidente, com oportunidade de exaustiva defesa, mas que já se consumou ante o pulular de fatos que assombram a cada avançar da Operação Lava Jato.
Os implicados, cada vez mais cientes de seus mal feitos, agora se submetem aos ditames da regra, da lei, da norma, para usufruírem de suas liberdades, ainda que tenham que fazer uso das já famosas tornozeleiras eletrônicas.
Ontem, todos assistimos, deixaram a carceragem da Polícia Federal em Curitiba o casal de marqueteiros da campanha presidencial. Naturalmente aliviados e assim como chegaram, estamparam sorrisos diante de um batalhão de repórteres ávidos por cenas mais espetaculosas. Quem se recorda do sorriso inicial, sobretudo de Mônica Moura, percebeu que o sorriso de ontem era de quem havia tirado um fardo das costas, não obstante os 32 milhões de reais que pagaram como fiança pela liberdade provisória. O sorriso inicial soou como escárnio. Oxalá tenham tido a oportunidade de revisarem seus conceitos.
Aquelas cifras, minha gente, 32 milhões de reais, significam mais de 36 mil salários mínimos num país de quase 12 milhões de desempregados.
Por que riem, então, os marqueteiros? Noutra seara, mas igualmente implicado pelo mesmo fundamento, o senhor de todos os poderes e imaculada honestidade acena com propósitos espúrios como é patente em seu comportamento.
Acredita levar sua quimera a quem quer que seja e infere a possibilidade de um organismo internacional sucumbir ao seu jogo de cena.
Expõe a nação com seu comportamento covarde, inadequado e criminoso, tendente a subverter a ordem e afundar cada vez mais o país que se tornou refém dele próprio, um sacripanta.
O pior de tudo isso é que o auge de todo o desenrolar do processo culmina com o ponto alto da festa dos esportes olímpicos.

A dignidade da renúncia e a honestidade de propósito não fazem parte dos jogadores nesse jogo de cartas marcadas. Aqui não se pratica o espírito olímpico, a comunhão de propósitos e a fraternidade entre os contendores. Não! Quanto pior e mais grave seja para nação, cogita-se, ou infere-se, seja melhor para os que a ela causou desassossego. Resistem ao poder e sucumbem cada vez mais. São desavergonhados.
Enfim, a nação merece respeito e assim como o dream time do jornalismo faz crer que teremos sucesso mais do que seja possível obter, conclamo o povo brasileiro a exigir respeito a si, tão somente para não envergonhar-se a cada goteira e sujeira experimentada pelas delegações de mais de 205 países presentes nesta Olimpíada.
Não nos deixemos engabelar por lindos cenários e mais pantomima. Roupa suja se lava em casa. Eis o momento ideal para referida prática.
Extirpar a sujeira para que possamos sonhar com pódios mais altos.
*André Braga é advogado.

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