Caminhada lembra os 12 anos da Chacina da Baixada

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Familiares de vítimas e diversos movimentos sociais promoveram a 12ª caminhada em memória à chacina da Baixada

Familiares de vítimas e diversos movimentos sociais fizeram ontem (sexta-feira) a 12ª caminhada em memória à chacina da Baixada, a maior do estado do Rio, que aconteceu em 2005 quando policiais militares balearam 30 pessoas, matando 29, nas cidades de Nova Iguaçu e Queimados. A concentração foi na Rodovia Presidente Dutra, na altura do bairro Explanada, e saiu em caminhada por onde as pessoas foram assassinadas em Nova Iguaçu, pelos bairros da Posse até a Cerâmica. Em cada local das mortes, foi feita uma parada e prestado homenagens às vítimas.
Além de familiares da chacina da Baixada, outras mães de chacinas do Borel, Acari, Manguinhos, entre outros casos, estivera na caminhada, que é organizada todos os anos por Luciene Silva, mãe de Raphael, de 17 anos, um dos mortos na chacina, com apoio da ONG ComCausa. Segundo ela, mais do que marcar a data do massacre, o objetivo do ato é cobrar mais segurança para a Baixada e as comunidades vulneráveis do estado do Rio. “Homens, mulheres, trabalhadores, gente de bem, trabalhadora das favelas, das periferias continuam morrendo por ação de policiais e de grupos criminosos”, disse Luciene, “Caminho não somente pelo meu filho, mas por outras vítimas da chacina”, enfatizou.
Adriano Dias, fundador da organização não governamental (ONG) ComCausa, declarou que a violência na Baixada Fluminense diminuiu logo após a chacina, porém voltou a crescer nos últimos anos. “Houve uma redução no número de homicídios entre os anos de 2005 até 2008. Mas, de 2009 para cá, o número de homicídios voltaram a crescer. Hoje temos números até maiores do que o período de 2005 à 2007. Fora a situação de violência ter aumentado consideradamente na Baixada. Aqui, a violência que era direcionada, agora é difusa, você passa no meio dos conflitos ou tem maior incidência do de outros crimes, como homicídios, roubos a carro, entre outros”, afirmou.
Adriano Dias defende uma mudança na estrutura da Polícia Militar e da Polícia Civil, com uma política de segurança pública e direitos humanos voltada para a Baixada Fluminense. “Precisa de uma reestruturação total. A partir das ocupações das comunidades por UPPs no Rio de Janeiro, houve o aumento da violência aqui na Baixada. A gente percebe uma migração de dinâmicas de atuação, com crimes que não aconteciam antes, vinculados diretamente ou indiretamente ao tráfico de drogas”, comentou.

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