Quadrilha que levava vida de luxo é desarticulada pela Polícia Civil

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Investigação desarticulou o esquema de lavagem de dinheiro. Fábio Fernandes Villa Real, o Parrudo, levava vida luxuosa
Fotos: Divulgação / Polícia Civil

Uma investigação feita pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) desarticulou ontem o esquema de lavagem de dinheiro e revelou como funciona a estrutura financeira de uma das maiores facções criminosas atuantes no Estado do Rio de Janeiro. A ação, que visa cumprir 40 mandados judiciais (5 de prisão, 34 de busca e apreensão e 1 de condução coercitiva), ocorre simultaneamente em vários locais do Estado, e conta com o apoio de 60 policiais civis, de quatro delegados de Polícia do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil (LAB-LD).
Durante seis meses de apuração, foi possível identificar pessoas que atuavam na lavagem do dinheiro do tráfico de drogas exercido pelas lideranças das comunidades do Muquiço, Acari, Serrinha, Complexo da Maré (Timbau, Baixa do Sapateiro, Vila do João, Vila dos Pinheiros e Conjunto Esperança), Complexo de Camará (Vila Aliança, Sapo e Coréia), Vigário Geral, Parada de Lucas, entre outras, todas com atuação da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
Os responsáveis por todo esquema financeiro e contábil do bando são Fábio Fernandes Villa Real, o Parrudo e Tiego Raimundo dos Santos Silva, o TH ou TH Joias, os quais utilizavam imóveis, veículos de luxo, joias, empresas e interpostas pessoas para dar aparência lícita ao lucro do tráfico, bem como para pagar “arrego” a policiais corruptos em troca de informações privilegiadas de operações e investigações que envolvessem os integrantes e comunidades da referida organização criminosa.
Entre os “laranjas” do bando estão o pai e a irmã Parrudo e pessoas que exercem cargos importantes na estrutura autárquica Federal, que “emprestaram” os seus nomes para registrar imóveis, empresas e veículos de luxo, bem como movimentaram quantias milionárias em suas contas bancárias. Com autorização da Justiça, foram quebrados os sigilos fiscais de várias pessoas físicas e jurídicas envolvidas nesse complexo esquema criminoso.
As informações fornecidas pela Receita Federal do Brasil foram analisadas pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil – LAB-LD, chegando-se à conclusão de que os indiciados movimentaram, em dois anos, cerca R$ 7 milhões sem qualquer lastro financeiro que comprovasse a origem desses recursos.
A análise financeira também revelou que algumas empresas da organização criminosa tiveram movimentação 352 vezes maior do que a renda líquida declarada ao fisco e circularam em suas contas valores diversos da sua atividade mercantil.

De acordo com o delegado titular da DCOD, Felipe Curi, os investigados diversificaram as áreas de atuação como forma de garantir um grande retorno financeiro e de proteger o capital amealhado em várias atividades, quer lícitas ou ilícitas, tais como empresas de fachada e empresas que existem de fato, aquisição de imóveis, de veículos de luxo, de autonomias de táxi, joias, viagens nacionais e internacionais, hospedagens em hotéis e resorts de alto padrão, roupas de grife e demais objetos de valor, além da utilização de “laranjas” para registrar bens, pessoas jurídicas e contas bancárias, restando evidenciada uma verdadeira engenharia financeira para dar aparência legal aos recursos obtidos de maneira espúria.
Com base na investigação realizada pela DCOD, a Justiça determinou o sequestro de imóveis e o bloqueio de contas bancárias utilizadas pela organização criminosa.
Durante a ação de hoje, foram apreendidos veículos de luxo (um Jaguar F PACE de R$ 500.000,00, dois Land Rover Evoque, além de outros veículos), joias, vultosa quantia em dinheiro e outros bens de valor, aparelhos de telefones celulares, computadores e documentos que serão analisados pelo Setor de Inteligência da DCOD e por peritos, a fim de colher mais elementos de prova e de identificar outros integrantes do esquema delituoso. Os investigados foram indiciados pelos crimes de Lavagem de Dinheiro, Organização Criminosa, Tráfico de Drogas e Associação para o Tráfico de Drogas.

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