*Alberto Rostand Lanverly
Aprendi, desde cedo: para manter contato com algo ou alguém, devo mirar seu ponto mais importante. De humanos, os olhos; de objetos, o local de mais fácil acesso onde os pudesse controlar com facilidade, fazendo valer o interesse desejado.
Para minha surpresa, bem jovem ainda, fui matriculado em uma Escola de Datilografia, onde, me foi ensinado ser, o segredo maior daquela prática, nunca encarar os botões onde estavam gravados os números e letras. Estes, quando tocados com pericia eles se transformariam em textos, podendo até chegar a encantar o mundo.
Dizia-se, àquela época, ser uma das condições para obter um bom emprego a posse de um diploma na arte de datilografar. Ainda tinha espinhas no rosto mas recordo o início não haver sido difícil. Logo após saber onde posicionar a visão, tornei-me afeito às teclas sendo, já na primeira semana de aula, capaz de escrever uma página inteirinha com as letras, ASDFG e depois outra com ÇLKJH, sendo o espaço entre os blocos de registros sempre feito com o polegar esquerdo. Depois eram as maiúsculas misturadas com minúsculas, números, acentos e símbolos, até decorar todas as posições do painel, sem nunca poder dar uma olhada em sua superfície.
Eu me encantava ao passear pela Rua do Comércio vendo, em alguns escritórios, fileiras de pessoas, sentadas em mesas, mirando um caderno e datilografando sem parar, com tamanha rapidez, que os ruídos dos toques pareciam uma composição musical para ser lida, cantada ou recitada pelo homem em suas ações diversas.
Voltava, então, para minha aula, ávido por saber escrever as palavras propriamente ditas, misturando a mão esquerda com a direita, sempre da forma mais rápida possível, copiava as lições, registrando termos diversos e sempre buscando a necessária velocidade exigida ao bom profissional. Quanto mais toques por minuto, melhor seria o conceito do aprendiz. Finalmente, já diplomado, ganhei de presente de meus pais um moderno equipamento portátil olivetti lettera 22, que me acompanharia durante toda a minha fase estudantil.
Confesso: escrever com máquina, apesar de fantástico, possuía inconvenientes, pois, quando algum termo saia errado tinha que apagá-los com borracha e o trabalho não saia bem feito. Usando papel carbono, então, a borradeira era ainda maior …
Tempos depois, com a chegada do progresso, podia-se comprar, na loja Casa do Colegial (se no Recife tem em Maceió também tem…), o erroex, uma tinta branca capaz de, quando aplicada, destacar mais o erro do que consertá-lo. Logo após, surgiram as máquinas elétricas com mágica facilidade de, ao cometer engano, retroceder um espaço e apagar a letra errada. Finalmente, chegaram os computadores, vindos, para modificar o mundo.
As aulas de datilografia fazem parte de uma época de ouro, em minha vida, tão importante a ponto de jamais ser esquecida.
*Alberto Rostand Lanverly é membro da Academia Alagoana de Letras.
















