
A mesma Bíblia que é usada por alguns para atacar os homossexuais será, agora, instrumento contra o preconceito. A Diocese de Nova Iguaçu deu início, no último sábado, aos encontros da Pastoral da Diversidade, destinada a pessoas LGBTs. A iniciativa — inédita no estado do Rio — foi anunciada pelo próprio bispo da região, Dom Luciano Bergamim, de 73 anos.
A ideia foi celebrada por integrantes de movimentos sociais. Adriano Dias, de 47 anos, fundador da Comcausa, lembrou o papel educativo que a Igreja tem em regiões da periferia, como a Baixada Fluminense.
“Como se enfrenta este preconceito, o ódio que é disseminado por aí? A Igreja Católica em Nova Iguaçu, com esta pastoral, traz uma mensagem de acolhimento. Além disso, há grandes chances de prevenir a violência praticada contra homossexuais”, afirma Dias.
Os encontros da Pastoral da Diversidade ocorrerão mensalmente, e são abertos a qualquer pessoa. Durante a reunião, presidida por um padre, há o compartilhamento de histórias de vida de cristãos homossexuais.
“Na primeira reunião que tivemos, diversos dirigentes de pastorais foram para conhecer essa realidade. Temos que aprender a lidar com esta realidade, curar essa ferida”, defende um padre, que prefere não ser identificado.
Apesar de contar com apoio de parte da população, setores conservadores da própria Igreja Católica e de outras religiões estão promovendo ataques nas redes sociais contra o desenvolvimento da Pastoral da Diversidade. No perfil de Dom Luciano Bergamim, no Facebook, usuários acusam o bispo de deturpar a doutrina do catolicismo:
“A Diocese vai ensinar a estes homossexuais que vivem a prática anormal, contra a natureza, pecaminosa e odiada por Deus, que isso é pecado que brada ao céu?”, escreveu uma internauta.
O próximo encontro da pastoral ocorre no dia 9 de dezembro, às 17h, na Rua Dom Adriano 8, no Moquetá, ao lado do Sesc.
















