Unidade do INCA é o primeiro centro da rede pública do RJ e vai oferecer 3.600 biópsias por ano. Ministério da Saúde lança campanha nacional para diminuir o estigma social sobre a doença
A população masculina do Rio de Janeiro será beneficiada com um novo Centro de Diagnóstico do Câncer de Próstata. A unidade do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), inaugurada nesta segunda-feira (27/11), é o primeiro centro da rede pública do Rio de Janeiro e vai oferecer 3.600 biópsias por ano. Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Câncer, o Ministério da Saúde lançou também a campanha nacional para diminuir o estigma social sobre a doença.
O Centro de Diagnóstico receberá pacientes com suspeita da doença da rede pública de atenção básica no Rio de Janeiro. Na unidade, o paciente realizará, num curto espaço de tempo, a biópsia que confirmará, ou não, o diagnóstico de câncer de próstata. No caso de confirmação, o paciente será tratado no INCA ou em outro hospital, de acordo com o caso.
“O novo centro vai atender um vazio assistencial. Serão 3.600 diagnósticos por ano para que os homens possam iniciar o tratamento mais rápido, para ter mais chances de cura e, com isso, diminuir o risco de metástases”, destacou o ministro da saúde, Ricardo Barros, durante a inauguração.
Além de facilitar o acesso à biópsia, o novo Centro permitirá que os pacientes da rede pública realizem o procedimento sem dor. O procedimento será feito por radiologista intervencionista sob sedação realizada por anestesista. Antes o paciente passará por avaliação de um uro-oncologista, de acordo com a visão multidisciplinar dessa intervenção. Atualmente, na rede pública do Estado do Rio de Janeiro, os procedimentos são feitos apenas com anestesia local.
No Centro de Diagnóstico, o procedimento será feito com um moderno aparelho de ultrassom que permite identificar lesões de pequenas dimensões e com a precisão diagnóstica. A estimativa ‘zerar’ o tempo de espera pela biópsia no Rio de Janeiro, o que reduzirá o número de casos de pacientes que iniciam o tratamento com tumores em estágio avançado. Além do tratamento precoce custar sete vezes menos, o diagnóstico rápido e correto aumenta a taxa de cura.
O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele não melanoma. As estimativas apontam 61.200 casos em 2016, o que representa 28,6% do total, além de ser a segunda causa de morte por câncer em homens no Brasil, com mais de 14 mil óbitos, segundo dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.
Idade, histórico na família, sobrepeso e obesidade aumentam o risco da doença. A cada 10 homens diagnosticados, 9 tem mais de 55 anos. Entre os sintomas estão: dificuldade de urinar, demora em começar e terminar a urinar, sangue na urina, diminuição do jato, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Para prevenir o câncer, a recomendação é manter peso adequado, ter alimentação saudável, praticar atividade física, não fumar, evitar consumo de bebidas alcóolicas.
Na presença de sinais e sintomas, recomenda-se a realização de exames. A doença é confirmada após fazer a biópsia, que é indicada ao encontrar alguma alteração no exame de sangue (PSA) ou no toque retal, que somente são prescritos a partir da suspeita de um caso. Em 2016, foram realizados 5,18 milhões de exames de PSA e 46.642 mil biópsias, ao custo de R$ 89,78 milhões. Além disso, ocorreram 633,7 mil sessões de quimioterapia, 2,71 milhões de campos de radioterapia e 17.353 cirurgias. Os gastos com esses tratamentos foram de R$ 393,61 milhões.
















