
Quatro dos 18 homens denunciados pelos Ministério Público do Rio após serem presos num sítio em Santa Cruz, na Zona Oeste, em abril, são acusados de integrar a milícia por conta de um vídeo feito quando o grupo, já detido, deixava o local da operação. Na gravação, , um homem filma os demais e faz brincadeiras no ônibus que levava o grupo para a Cidade da Polícia. Na denúncia, entretanto, o promotores Elisa Constant e Luiz Antonio Ayres alegam que, no vídeo, eles gritam “palavras de ordem em favor da milícia”.
“Só milícia, só milícia que foi apreendido”, afirma o homem atrás da câmera, aos risos, no início da gravação.
Em seguida, ele aponta o celular para um homem e diz: “Aí, Bernardo, chá de bebê da tua filha daqui a pouco e você indo para a cadeia”. O homem não responde e põe a mão sobre o rosto.
A câmera, então, é apontada para outro homem: “Cupim tá aí, Cupim tá aí. Cupim tá devendo dez anos”, diz a voz por trás da câmera. O rapaz filmado ri.
No final da gravação, quando o ônibus chega próximo à favela do Cesarão, onde diversos dos detidos moram, o homem grita: “Ó, Cesarão desce, hein. Puxa aí, puxa o bagulho aí, Cesarão, vou descer, mano”.
Para o MP, no entanto, o trecho comprova que os quatro denunciados tinham “ciência dos planos delituosos da milícia e os apoiava, tanto que não demorou muito para a ameaça se concretizar: a estação do BRT que fica em frente à comunidade do Cesarão foi atacada e incendiada por criminosos”.
Procurado, o promotor Luiz Antonio Ayres afirma que há indícios contra todos os denunciados. Matheus de Oliveira Bernardo Cardoso, Gelson da Silva Marinho Filho, Reinaldo Willian Freitas Guimarães e Theyvison dos Santos Euzébio foram soltos e respondem, em liberdade, por organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo. Dos 159 detidos na operação, 11 estão presos.
















