
A irmã do empresário David Esteves Barbosa, de 27 anos, baleado por criminosos depois de uma tentativa de arrastão na Tijuca, Zona Norte do Rio, na noite desta terça-feira, disse que ele se sentiu alvo de uma perseguição. Ela, que não quis se identificar, conversou com o irmão, que chegou consciente ao Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro.
— Ele estava bem quando chegou e falou que se sentiu alvo de uma perseguição. No começo, segundo meu irmão, ele até achou que os tiros não eram na direção do carro dele. Estamos esperando ele se recuperar um pouco mais para saber mais detalhes. Agora nós vamos levá-lo para um hospital particular para ele ficar mais confortável. Não sou nada religiosa, mas tenho certeza que foi um milagre meu irmão estar salvo — afirma a jovem.
Segundo ela, a arma encontrada no carro de David era uma pistola de airsoft — esporte onde os participantes simulam operações policiais, militares ou ações de recreação com armas de pressão que atiram projéteis plásticos não letais. Ele foi atingido por, pelo menos, dois disparos, um na região das costas e outro na cabeça, próximo ao olho direito. O estado de saúde do empresário é estável, sem risco de morte.
— A camisa dele está com cinco marcas de tiro. Eu contei e são cinco furos, todos na região do dorso, atrás, um pouco abaixo da nuca. Ele vai precisar de uma cirurgia na área do olho, mas não é nada emergencial — explica a irmã de David.
No hospital, policiais militares contaram a ela que, durante um patrulhamento pela região, se depararam com bandidos armados atirando contra um carro. Segundo a irmã conta, um dos PMs disse que “chegou, viu a cena, atirou e, assim, salvou a vida de David”.
Além da vítima, um dos suspeitos ficou ferido, chegou a ser atendido no Souza Aguiar, mas morreu ainda nesta madrugada. De acordo com a Delegacia de Homicídios da Capital (DH/Capital), ele se chamava Daniel Hansmiller Alves da Silva e tinha 29 anos. A especializada informou que “investigações estão em andamento para identificar os outros autores do crime”.
Mesmo ferido, empresário dirigiu até a Cidade Nova
De acordo com informações do 6º BPM (Tijuca), os criminosos tentaram roubar o carro de David, um Honda Civic branco e, diante da tentativa de fuga da vítima, atiraram mais de 30 vezes contra o automóvel. Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver toda a ação dos bandidos. Nas imagens, ao menos oito criminosos descem de três veículos e abordam Esteves, que fica encurralado na esquina das ruas Gonçalves Crespo e Campo Sales, no bairro da Zona Norte.
Mesmo baleado, David conseguiu dirigir até a Cidade Nova, onde se deparou com um carro da polícia. Logo após o crime, um amigo da vítima disse também que o empresário estava na casa do ex-sogro, na Tijuca, visitando o filho, de apenas três meses, e, ao ir embora, foi abordado pelos bandidos. David mora em Botafogo, Zona Sul do Rio. A irmã espera que ele agora opte por sair da cidade:
— Tomara que ele decida se mudar e escolha um ritmo de vida menos agitado. Agora ele tem que andar de bicicleta ou de Fusca. Já conversamos algumas vezes sobre o estilo de vida que ele leva aqui, andando com carros e celulares caros — afirma a jovem, que, assim como o irmão, nasceu em São Paulo e, juntos, vieram para o Rio há cerca de dez anos.
Cápsulas pelo chão
Na Rua Gonçalves Crespo, cápsulas de bala ainda podem ser vistas no chão na manhã desta quarta-feira. Além disso, o portão de um prédio em frente ao local do crime tem uma marca de disparo. Policiais civis estiveram em alguns condomínios da região e são aguardados ainda nesta quarta-feira para captarem mais imagens de câmeras de segurança.
Moradores contam que assaltos são recorrentes na região. Segundo o funcionário de um condomínio, que pediu para não ser identificado, há um horário específico onde mais acontecem crimes como o que vitimou o empresário David Esteves:
— Isso acontece quase que diariamente, sempre das 18h às 22h. Os carros da PM nunca passam nessa faixa de horário, é incrível. Já vi moradores daqui sendo assaltados quando chegam e entram com o carro na garagem. Há algum tempo, duas meninas perderam as mochilas e os celulares quando saíam para a escola — lembra o funcionário.
No início do outro quarteirão, uma clínica veterinária ficou com uma das janelas estilhaçadas após ser atingida por disparos. Uma barreira de concreto que fica em frente ao sinal de trânsito onde os carros pararam também foi acertada. A marca de tiro pode indicar a localização dos policiais que entraram em confronto com os criminosos.
Morador do bairro, o professor Hélio Farias, de 47 anos, conta que já perdeu as contas de quantas vezes ouviu relatos de assalto na Rua Gonçalves Crespo. Segundo ele, um ponto de ônibus que fica a cerca de 300 metros do local do crime, na mesma rua, é o principal alvo dos bandidos:
— Essa calçada é alvo certo dos assaltantes, que roubam celulares todo dia, a toda hora. Quando eu preciso pegar ônibus aqui, prefiro esperar em frente ao estacionamento, onde me sinto mais seguro por causa do movimento maior.

















