*Célio Junger Vidaurre
Para essas eleições de 2016 os legisladores apresentaram aos candidatos e aos eleitores uma nova versão de como se comportarem até o dia dois de outubro, dia em que será realizado o pleito. O que parece é que os homens da lei que estabeleceram normas para serem atendidas pelos concorrentes a cargos eletivos, jamais tiveram uma infância ou uma juventude normal, vez que, é inadmissível que quem queira usar um megafone, tenha que ser sobre uma bicicleta e, pior, falando no aparelho sem parar. Não poderá ficar estático só em um local.
É incrível essa exigência estabelecida pelo TRE, que entre outras aberrações, deixaram os candidatos que não são detentores de mandatos sem quaisquer condições de promoverem suas campanhas e, assim, protegeram frontalmente os possuidores de mandatos que, além de terem melhores condições financeiras, têm cargos para serem distribuídos e mais espaços dentro dos partidos e durante as gravações em televisão. Mostraram que são contra a qualquer tipo de renovação. Que democracia é essa?
Outra, no julgamento de Eduardo Cunha na Câmara Federal o que ocorreu era o esperado e desejado pela maioria do povo brasileiro que também sabe e, muito bem, que ainda falta muita gente para ter o mesmo destino, pois, não se sabe verdadeiramente qual é a diferença que existe entre esse Cunha desse Renan Calheiros ou desse Fernando Collor ou desse Bispo Crivella. “Tudo farinha do mesmo saco”.
Ridículo mesmo é essa atuação dos parlamentares do PSOL. Falam, falam, e no segundo turno das eleições, opinam e pregam o voto nulo. Ou seja, fazem a mesma linha auxiliar que fizeram para ajudar Dilma no passado ou para, principalmente, proteger o PT ou quem está de posse de mandato tentando a reeleição. Aliás, essa turma do PSOL veio do PT, foi lá que começaram na política. Ou essa gente acredita que o eleitor não tem memória?
Alguma coisa boa deveria acontecer no momento crucial da despedida de Cunha, foi a posse da ministra Cármen Lúcia na Presidência do Supremo Tribunal Federal-STF. Ricardo Lewandowiski foi embora sem deixar saudades. A nova Presidente começou dando um verdadeiro show de humildade e transparência quando saudou “o cidadão brasileiro” com a suave dignidade que lhe é peculiar, esclarecendo finalmente que, se o sistema Judiciário não serve ao cidadão com eficiência, não faz justiça.
Bom mesmo, a partir dessa posse da mineira Cármen Lúcia é que as esperanças estão de volta, pois, com Lewandowiski a situação ficou de tal forma, que os brasileiros estavam sem quaisquer expectativas de justiça na justiça e foram ficando traumatizados com essa classe política dominante e, porque não dizer, até com o Judiciário. Agora não, as esperanças de dias melhores estão de volta. A população merecia alguma coisa que lhe confortasse. Até porque os tempos são outros e é natural que as coisas mudem para melhor.
Como estamos falando de legisladores e de eleições, em Niterói, o vice de Rodrigo Neves, Axel Grael, foi considerado inelegível e a solução encontrada para substituí-lo poderá derrotar o prefeito na sua reeleição, caso seja confirmado. Comte Bittencourt, o escolhido, tem duas pedras no seu caminho, está condenado pelo Juiz da 5ª Vara Cível de Niterói por improbidade administrativa na famosa fraude publicada quando era Presidente da Câmara Municipal, além, de ser sempre rejeitado pelos eleitores. No último pleito, só conseguiu reeleger-se deputado com a sobra dos outros e “pelas pontas”. Sua empáfia é por demais conhecida de todos. Pode ser que alguém tenha de levar a tocha dos derrotados ao pódio!
*Célio Junger Vidaurre é advogado e cronista político. Publica seus artigos em 11 jornais diários e 16 semanários, do RJ.
















