*Jorge Gama
A validação como caminho para ser aceito em qualquer ambiente pode representar o percurso mais fácil e, muitas vezes, acelerar conquistas nos mais diversos segmentos sociais, políticos, econômicos e culturais.
Na era das redes sociais, esse instrumento, cuja existência percorre uma longa história, ganhou uma dimensão inédita. A aprovação instantânea passou a ser medida por curtidas, compartilhamentos, seguidores e comentários, criando a sensação de que a aceitação pública é sinônimo de reconhecimento definitivo.
Entretanto, a validação externa é, por natureza, transitória. Ela depende do humor das multidões, das tendências do momento e dos interesses que mudam com rapidez. Quem constrói sua identidade apenas sobre a aprovação alheia vive sob o risco permanente da frustração, pois a mesma sociedade que hoje aplaude amanhã pode ignorar ou rejeitar.
A própria história da humanidade demonstra que a validação imediata jamais foi o critério definitivo para medir o valor de uma obra ou de um autor. Grandes nomes da literatura, da pintura e da música viveram praticamente anônimos, enfrentaram rejeições ou foram incompreendidos em seu tempo, alcançando reconhecimento somente muitos anos depois.
Na literatura, Franz Kafka publicou muito pouco em vida e desejou que seus manuscritos fossem destruídos após sua morte. Hoje é considerado um dos maiores escritores do século XX. Fernando Pessoa morreu praticamente desconhecido do grande público português, deixando uma obra monumental que somente depois seria plenamente reconhecida.
Nas artes plásticas, Vincent van Gogh vendeu apenas um quadro durante sua vida. Morreu na pobreza, sem imaginar que suas pinturas se tornariam algumas das mais admiradas e valiosas da história da arte. Da mesma forma, inúmeros compositores, cientistas e pensadores somente receberam o devido reconhecimento quando suas ideias sobreviveram ao julgamento do tempo.
Esses exemplos revelam uma verdade permanente: o tempo é um crítico muito mais confiável do que os aplausos do momento. A notoriedade pode ser fabricada; o legado, não. A validação instantânea satisfaz o presente; a obra consistente atravessa gerações.
A fama pode ser passageira. A validação também. O verdadeiro reconhecimento nasce da coerência entre discurso e prática, da competência, da integridade e da capacidade de produzir algo que permaneça relevante mesmo quando os aplausos cessam.
Quem vive apenas para ser aceito torna-se dependente da aprovação dos outros. Quem vive para construir uma obra aceita, com serenidade, que o reconhecimento possa chegar mais tarde — ou até mesmo depois de sua própria existência. A história demonstra que a eternidade pertence muito mais aos que criaram valor do que aos que apenas conquistaram visibilidade.
Jorge Gama
Advogado e ex-Deputado Federal
















