
Uma semana após denunciar à Corregedoria da PM que foi espancado por policiais do Batalhão de Choque, um morador de 23 anos da Rocinha, na Zona Sul do Rio, teve que fugir da favela. As agressões aconteceram no último 29 e foram denunciados, em depoimento prestado pela mãe da vítima à Corregedoria, um dia depois. No entanto, no último sábado, a mãe do jovem, ele foi ameaçado por policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC) no beco onde morava, na localidade 199. Na noite da última segunda-feira, com medo, ele saiu da Rocinha.
De acordo com sua mãe, o jovem trabalha como ambulante na Praia de Ipanema e, no dia em que foi agredido, estava levando um colchão para dormir na casa da namorada. Após a abordagem, os policiais teriam agredido o jovem com socos e chutes. De acordo com o depoimento da mulher à Corregedoria, os PMs também feriram o jovem com uma faca: ele teve pele cortada com na barriga e na cabeça. Durante a abordagem, os PMs também teriam disparado um tiro para o alto.
“Disseram que ele tinha ligação com o tráfico. Quebraram o nariz do meu filho, ele chegou a desmaiar e teve que ser carregado até o (Hospital) Miguel Couto”, contou a mãe do rapaz, uma faxineira de 41 anos.
Já na tarde do último sábado, o jovem foi novamente abordado por policiais militares — desta vez, do BAC. Durante a abordagem, os agentes tiraram uma foto de seu rosto e disseram que o morador “estava marcado”. Nesta quarta-feira (8), o jovem vai ao Ministério Público formalizar a denúncia.
“Tirei ele da Rocinha. Não estava dando mais”, lamentou a mãe.
Para promotores que atuam na Auditoria Militar, a decisão do comando da PM de nomear, o coronel Jorge Fernando de Oliveira Pimenta, ex-comandante do Batalhão de Choque, como novo corregedor da PM aconteceu num “momento inoportuno”. Em nota, os promotores justificam a afirmação argumentando que “policiais do Batalhão do Choque, do qual era o comandante, são alvos de diversas notícias de praticas de crimes ocorridos na ocupação da Rocinha”.
















