Apesar dos riscos a população prefere Uber

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Para alguns clientes, o Uber se tornou um risco de vida, onde os motoristas não são registrados e não se sabe a procedência dos seus veículos

A queda de braço entre os táxis e os Uber está difícil de acabar. O projeto que regulamenta os serviços dos aplicativos foi aprovado com alterações pelo Senado, mas desagradou taxistas e voltou a Câmara dos deputados, em Brasília.
Enquanto a discussão para regulamentação dos aplicativos do Uber, 99 PoP, Cabify e Easy fica mais acirrada, os usuários estão batendo palmas, na maior torcida, assim como os moto taxistas e motoristas de combis e de vans.
O projeto de lei da Câmara (PLC 28-2017), que determina a legalização dos serviços de Uber no Brasil, foi aprovado pelos deputados em Brasília no mês de abril. Porém, para ser aprovada no senado, dia 31 de outubro, os senadores retiraram do texto original, pelo menos quanto exigências que, segundo eles, equiparariam os serviços dos aplicativos aos de táxis.
Pelo original, o projeto havia exigência do Uber ter placa vermelha, o motorista deveria ser dono do veículo, dependeria de autorização da prefeitura para circular e só poderiam prestar serviço no município onde tivesse registrado. E foi para isso que os taxistas do Brasil inteiro se mobilizaram e foram até o senado para pressionar a aprovação do texto original. Entretanto, foram surpreendidos com a retirada destes quatro pontos, considerados fundamentais para eles.

 

Taxistas fazem campanha por preço baixo

O taxista Roberto Carvalho quer a limitação de ubers circulando em Nova Iguaçu

Roberto Carvalho, 47 anos, um dos taxistas que ajudou a engordar a mobilização em Nova Iguaçu, acredita que o jogo será revertido quando o projeto for votado pela câmara dos deputados no próximo ano – só que ainda não há data para entrar em pauta de votação. Para ele, o mais importante é a prefeitura fiscalizar os serviços e limitar a quantidade de aplicativos a circular pelo município. Em Nova Iguaçu, por exemplo, circulam cerca de 1 mil carros de Uber, de todos os lugares, contra 395 táxis. De acordo com ele, que oferece 20% de desconto nas ‘corridas’, os colegas deveriam fazer o mesmo, para concorrer com o preço dos Uber, como também não deveriam cobrar por volumes levados na mala, para conquistar mais clientes. Mas, apenas uns poucos taxistas aderiram a essa campanha e o sindicato da categoria não promove nada nesse sentido.

 

 

 

Preferência para todos os transportes

Despachante, Tiago de Souza prefere ir de ônibus

Nas ruas, as opiniões se dividem entre táxis e Uber, o qual já não tem a mesma credibilidade, mas ainda lidera a preferência absoluta da população. A reportagem do Jornal de Hoje também incluiu perguntas sobre mototáxi, ônibus, kombis e vans. “Entre todos, prefiro Uber. vou de Uber e levo meu filho”, garante o artesão Renato dos Anjos, 41 anos, ao lado de Paulo Gabriel (13). “O Uber é mais barato e melhor”, prefere Suely Braga, 47 e a mãe, Maria Yara, 79. “Nem táxi, nem Uber. Eu vou de ônibus”, revela o motorista Tiago de Souza, 32 anos, despachante da empresa São José.
A estudante Valéria Correia, 19 anos, prefere aventura. “Eu vou de mototáxi, que é muito mais rápido e barato. E eu gosto de adrenalina”, exibe-se. “Estou mais garantida de ônibus ou e van e até kombi”, diz Maria Rita Condelha, 37. Já o mototaxista Osmar Pereira e Silva, 43, tem outra opinião. “Dá para todos. O Uber é confortável e barato. Mototáxi é mais rápido e livra o cliente do trânsito ruim. Táxi poderia cobrar mais barato. O Uber existe por causa do preço deles. E kombi e van existem por causa porque o ônibus não presta bom serviço”, avalia.

 

Violência, estupros e assaltos no Uber

O motorista Marcelo Alves trocou o trabalho no ônibus pelo Uber

Para alguns entrevistados pelo JH, o Uber se tornou um risco de vida, onde os motoristas não são registrados e não se sabe a procedência dos seus veículos. “De Uber, nunca mais”, revolta-se Maria Gorete Santana, 40. “Este ano ouvi notícias de estupros, assaltos e roubos dentro de Uber, cujo delinquente era o próprio motorista. Recentemente, uma moça foi violentada e morta por um desses caras”, completa. Cristina Quaresma, secretária de assistência social em Mesquita, postou no Facebook, semana passada, que esqueceu seu celular no Uber. Logo em seguida, em menos de um minuto, telefonou para o motorista e ele disse que não havia nada no seu carro. Pelo tempo, o Uber não tinha chegado nem na esquina da rua. “Há casos em que o motorista leva o cliente para ser assaltado. Isso aconteceu com minha amiga. Uber agora é um risco de vida”, classifica Tânia Mara Cordeiro, 24 anos. Mas o motorista Marcelo Alves, 39 anos, discorda. Ele deixou o ônibus, comprou um carro e agora é Uber. “Trabalho direito, honesto e tranquilo. Faço meu horário e meu salário. Estou satisfeito”, garante.

 

por Davi de Castro (davi.castro@jornalhoje.inf.br)

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