Avaliação da Yamaha Fluo Hybrid Connected 2026/2027

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Por Arnaldo Bittencourt (texto e fotos)

A Yamaha lançou no mercado brasileiro o Fluo Hybrid Connected, assumindo o posto de primeiro scooter de baixa cilindrada com assistência híbrida leve produzido no país. Com proposta estritamente urbana, o modelo traz um pacote interessante de comodidades: freio ABS dianteiro de série, bocal de abastecimento no escudo e conectividade com smartphone. Mas será que as novidades compensam os cortes de custo e a suspensão excessivamente dura no asfalto brasileiro? Avaliamos o modelo a fundo no trânsito do dia a dia.

Conjunto Mecânico & Dinâmica

O motor é o conhecido monocilíndrico de 125 cm³, 4 tempos, SOHC, arrefecido a ar, calibrado para render 8,3 cv e cerca de 1,0 kgfm de torque, acoplado ao câmbio automático CVT. Para a cidade, o conjunto dá conta do recado com muita agilidade.

O grande diferencial da versão é o sistema híbrido leve (Smart Motor Generator). Ele não traciona o scooter sozinho, mas atua como um motor de partida inteligente que injeta torque direto no virabrequim por alguns segundos durante arrancadas, subidas íngremes ou saídas de semáforo com garupa. Na prática, elimina aquela lentidão inicial típica de motores 125 cm³, deixando a moto bem esperta nas saídas.

Em vias expressas planas, o Fluo roda macio mantendo entre 80 km/h e 90 km/h com tranquilidade. Chega a bater 100 km/h de painel, mas aí o motor já trabalha no limite. Por ser um scooter leve e pequeno, desaconselho o uso em viagens rodoviárias.

Consumo de Combustível

O consumo verificado no teste urbano ficou entre impressionantes 44 km/l e 50 km/l. Com o tanque de 4,2 litros, a autonomia real varia confortavelmente entre 160 km e 190 km por abastecimento. O sistema Stop & Start desliga o motor em paradas rápidas e religa com partida suave ao acelerar, sem dar trancos e sem irritar no trânsito.

Engenharia & Construção

Chassi e Suspensão Dura

O scooter utiliza chassi tubular sob rodas de liga leve aro 12 polegadas (100/90 na frente e 110/90 atrás), superando desníveis melhor que modelos com aro 10. Contudo, a calibração da suspensão é excessivamente dura.

Ao trafegar por asfalto remendado, valetas ou paralelepípedos, a moto sacode bastante, gerando uma trepidação forte no guidão, transferindo impactos diretos para o corpo do piloto. Em piso perfeitamente liso a estabilidade em curvas agrada, mas falta capacidade de absorção progressiva no mundo real.

Sistema de Freios e Iluminação

O freio a disco dianteiro traz sistema ABS de série, impedindo travamentos perigosos em pisos molhados. Na traseira, permanece o freio a tambor simples, exigindo moderação na manete para não travar a roda.

O farol dianteiro em LED tem excelente facho noturno e luz diurna (DRL). Porém, vale o alerta: a lanterna traseira e as setas são equipadas com lâmpadas halógenas convencionais, não sendo um conjunto full LED.

Por falar em setas, gostaria de entender por que as setas traseiras não ficam embutidas na lanterna. Mistério! 

Ergonomia & Vida a Bordo

Posição de Condução             

A plataforma dos pés é 100% plana, sem plano inclinado frontal para esticar as pernas. Com os pés retos e a suspensão rígida, não há como usar as pernas para amortecer as pancadas do piso, jogando todo o impacto para os braços e a coluna. Em compensação, o banco é confortável e baixo, facilitando o apoio dos pés no chão.

Praticidade e Capacidade de Carga

O bocal do tanque fica no escudo dianteiro e seu acionamento é 100% mecânico: ao posicionar a chave em OPEN, o botão FUEL traciona um cabo de aço convencional que libera a trava da tampa. Isso permite abastecer sem levantar da moto e sem abrir o banco, com a confiabilidade de um sistema mecânico sem risco de pane elétrica. O mesmo mecanismo a cabo é usado no botão SEAT para abrir o assento.

Sob o assento (25 litros), cabe um capacete fechado tamanho 60 (fechando no limite com ajuste preciso). Para carregar mochilas maiores no dia a dia, a instalação de um baú traseiro segue indispensável. O scooter conta ainda com porta USB-A no porta-trecos, cavalete central e pisca-alerta de fábrica no punho.

Custo-Benefício & Mercado

O painel digital em LCD azulado é completo e objetivo: traz velocímetro, econômetro em barras, relógio, voltímetro da bateria, hodômetros e o indicador do sistema híbrido em ação. Integrado via Bluetooth ao aplicativo Y-Connect, permite checar localização de parada, histórico de viagens, dados de manutenção e alertas de mensagens e chamadas.

Frente a outros scooters de 125 cm³ e 150 cm³, o Fluo Hybrid se destaca pela combinação única de assistência híbrida nas saídas, freio ABS dianteiro de série e conectividade, com baixo custo de manutenção e a tradicional liquidez de revenda da Yamaha.

Veredito Direto

Pontos Fortes:

  • Sistema híbrido esperto: dá impulso extra nas saídas de semáforo e aclives com garupa.
  • Consumo notável: médias reais entre 44 e 50 km/l no trânsito urbano.
  • Freio ABS dianteiro de série: item de segurança ativa crucial para o dia a dia.
  • Bocal de abastecimento externo: acionamento mecânico prático via cabo sem abrir o banco.
  • Farol dianteiro em LED: facho forte com ótima iluminação noturna e DRL.
  • Conectividade Y-Connect: telemetria, dados de condução e alertas no smartphone.

Pontos a Melhorar:

  • Suspensão excessivamente dura: pula e bate seco em asfalto remendado.
  • Ergonomia dos pés engessada: plataforma plana sem apoio frontal inclinado para as pernas.
  • Traseira e setas halógenas: lâmpadas comuns destoam do farol moderno em LED.
  • Freio traseiro a tambor: sem ABS, sujeito a travamentos em frenagens fortes.
  • Porta USB-A: poderia ter adotado o padrão USB-C mais moderno.

Conclusão

A Yamaha Fluo Hybrid Connected acerta em cheio no que se propõe: ser um veículo urbano extremamente ágil, econômico e prático. A ajuda do motor elétrico nas saídas resolve com folga a lentidão clássica dos motores 125 cm³, enquanto o bocal no escudo e o freio ABS agregam valor real diário.

Para quem vale a pena: Motociclistas que buscam o menor custo por quilômetro rodado no deslocamento diário, rodam prioritariamente sobre asfalto bem pavimentado e valorizam conectividade e segurança ativa na dianteira.

Quem deve evitar: Pilotos que necessitam de deslocamentos rodoviários frequentes ou que encaram rotas de asfalto severamente esburacado e paralelepípedos, onde a rigidez da suspensão e a posição dos pés reta cobram um preço físico alto em fadiga.

Ficha Técnica BásicaYamaha Fluo Hybrid Connected 
Motor125 cm³, Monocilíndrico, 2V, SOHC, arrefecido a ar
Potência Máxima8,3 cv
Torque Máximo~1,0 kgfm
CâmbioAutomático tipo CVT
Sistema HíbridoSmart Motor Generator (assistência elétrica nas saídas)
Freios Dianteiro / TraseiroDisco com ABS de série / Tambor mecânico
Pneus / RodasDianteiro: 100/90 R12 | Traseiro: 110/90 R12
Capacidade do Tanque4,2 litros
Consumo no Teste44,0 km/l a 50,0 km/l (Ciclo Urbano Real)
Autonomia Estimada160 km a 190 km

*Dados do fabricante

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