Avaliação do Honda HR-V 1.5 Turbo Flex Touring 2026

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Por Marcus Lauria (texto e fotos)

O Honda HR-V  chegou ao mercado brasileiro em 2015, inicialmente importado do México, e passou a ser produzido em Itirapina, no interior de São Paulo, no mesmo ano. A primeira geração conquistou espaço entre os utilitários esportivos compactos, principalmente pela posição de dirigir, pelo aproveitamento interno e pela reputação da marca. Em 2022, o modelo ganhou uma nova geração, com mudanças no desenho da carroceria, no acabamento e na estrutura. Em 2025, a Honda apresentou a linha 2026, com atualizações visuais e novos detalhes de equipamentos, mas sem alterações mecânicas importantes. O HR-V também completou dez anos de produção nacional em 2025, quando registrou seu melhor resultado anual de vendas até então.

CONFIRA O VÍDEO: https://youtu.be/wymhT12v-34

Na linha 2026, o HR-V é oferecido nas versões EX, EXL, Advance e Touring. As duas primeiras utilizam o motor 1.5 aspirado flex, enquanto Advance e Touring recebem o 1.5 turbo flex, com 177 cv. A Touring é a configuração mais completa e a que avaliei neste teste. Seu principal diferencial está no conjunto mecânico, que oferece mais torque e respostas mais rápidas que as versões aspiradas, além de itens adicionais de conforto e conveniência. O preço sugerido divulgado para a Touring é de R$ 214.000, posicionando o modelo no limite superior dos SUVs compactos e próximo de algumas versões de utilitários esportivos médios.

A atualização visual da linha 2026 preservou as proporções da segunda geração, mas trouxe alterações na dianteira e em detalhes de acabamento. O HR-V mantém o perfil de SUV com linhas relativamente limpas, teto suavemente inclinado na traseira e maçanetas das portas posteriores posicionadas na região das colunas, solução adotada desde a primeira geração nacional. Na Touring, a grade dianteira com acabamento escurecido e desenho específico, as rodas de liga leve de 18 polegadas com acabamento diamantado e os detalhes cromados na traseira ajudam a diferenciar a versão. A proposta é combinar uma aparência discreta com elementos que identificam a configuração mais cara, sem recorrer a mudanças profundas na carroceria.

Na traseira, o desenho do conjunto de lanternas mantém a identidade visual do modelo, enquanto o para-choque e os acabamentos específicos acompanham as alterações da linha. As rodas de 18 polegadas contribuem para a aparência, mas também influenciam o comportamento sobre pisos irregulares, principalmente em conjunto com pneus de perfil relativamente baixo. Esse é um aspecto que merece atenção em um SUV destinado também ao uso urbano, onde buracos, remendos e valetas fazem parte da rotina.

O interior segue a mesma proposta de simplicidade visual. O painel tem desenho horizontal, comandos distribuídos de maneira funcional e uma posição de dirigir que facilita a visualização da dianteira. Os materiais utilizados variam conforme a região da cabine: há superfícies macias em áreas específicas, enquanto outras partes utilizam plásticos rígidos. O acabamento é bem montado e transmite uma impressão de solidez, embora o preço da Touring permita esperar materiais mais sofisticados em alguns pontos.

Os bancos oferecem apoio adequado para os deslocamentos diários e viagens, e o motorista conta com regulagem elétrica na versão Touring, recurso que facilita encontrar uma posição de condução confortável. O volante reúne os principais comandos, enquanto a central multimídia concentra as funções de entretenimento e conectividade. A disposição dos instrumentos e dos controles prioriza a operação sem exigir grandes períodos de adaptação. Ainda assim, a apresentação interna não representa uma ruptura em relação à geração anterior: a Honda preferiu aperfeiçoar uma solução conhecida a adotar um painel de desenho inteiramente novo.

O espaço interno é um dos pontos importantes do HR-V. Com 2,61 metros de entre-eixos, o SUV oferece espaço razoável para as pernas dos ocupantes do banco traseiro e acomoda quatro adultos com conforto adequado. O quinto passageiro encontra as limitações habituais dessa categoria, especialmente em viagens longas. A altura do teto e o formato dos bancos também precisam ser considerados por passageiros mais altos, mas o aproveitamento geral da cabine atende bem a uma família pequena.

O porta-malas tem capacidade de 354 litros, volume suficiente para compras, bagagens de uso cotidiano e malas para viagens de curta duração. Não é, porém, um dos maiores compartimentos entre os SUVs que disputam a mesma faixa de preço. O sistema de bancos traseiros Magic Seat, conforme a configuração de rebatimento, permite ampliar as possibilidades de transporte de objetos altos ou volumosos. É uma solução útil para quem alterna o uso familiar com o transporte de cargas ocasionais, embora não substitua a capacidade de um SUV de maiores dimensões.

Equipamentos de série, tecnologia e opcionais

A lista de equipamentos é um dos argumentos da Touring para justificar seu posicionamento no catálogo. Todas as versões do HR-V 2026 contam com o pacote Honda Sensing, que reúne sistemas de assistência à condução. Entre eles estão o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), com função de acompanhamento do tráfego em baixa velocidade, a frenagem automática para mitigação de colisões (CMBS), o assistente de permanência em faixa (LKAS), o sistema de mitigação de saída de pista (RDM) e o acionamento automático dos faróis altos. O modelo também oferece seis airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração e assistente de partida em rampa.

Na Touring, a lista inclui ainda ar-condicionado automático, central multimídia com conectividade para smartphones, câmera de ré, sensores de estacionamento, chave presencial, partida remota do motor, freio de estacionamento eletrônico com função Brake Hold e carregamento de celular por indução, conforme a especificação comercial da linha. A conectividade myHonda Connect permite consultar informações do veículo e acionar determinadas funções pelo smartphone, incluindo a partida remota e o sistema de climatização.

O banco do motorista com regulagem elétrica e a tampa do porta-malas com abertura e fechamento elétricos são diferenciais importantes em relação à Advance. A tampa elétrica facilita o acesso ao compartimento de bagagem, principalmente quando o motorista está com as mãos ocupadas. A Touring também traz rodas de 18 polegadas com acabamento diamantado e detalhes externos próprios.

A Honda oferece acessórios vendidos separadamente, como protetor para o porta-malas, suporte para bicicletas, rack de teto e emblemas com acabamento escurecido. Os preços dependem do acessório, da concessionária e da instalação. Como não há uma tabela única e atualizada de valores para todos esses itens, é recomendável consultar a rede autorizada antes de incluí-los no orçamento.

Um ponto favorável é a presença dos principais sistemas de assistência à condução, inclusive nas versões de entrada. Por outro lado, recursos mais sofisticados encontrados em alguns concorrentes, como câmeras com visão panorâmica e determinadas funções avançadas de estacionamento, não fazem parte do pacote da Touring. O sistema LaneWatch, que utiliza uma câmera para ampliar a visão lateral direita, ajuda nas mudanças de faixa, mas não substitui completamente um sistema convencional de monitoramento de ponto cego.

Cores disponíveis e preços

A linha 2026 do Honda HR-V foi divulgada com oito opções de pintura: Branco Tafetá Sólido, Branco Topázio Perolizado, Preto Cristal Perolizado, Prata Platinum Metálico, Cinza Basalto Metálico, Azul Cósmico Metálico, Cinza Titanium Perolizado e Vermelho Supernova Perolizado. A disponibilidade pode variar conforme a versão e o estoque da concessionária.

Na tabela de preços da Honda, as pinturas metálicas e perolizadas têm acréscimo de R$ 2.200, enquanto o Branco Topázio Perolizado, classificado como cor especial, tem adicional de R$ 2.500. O Branco Tafetá Sólido é a opção sem esse acréscimo. Esses valores devem ser confirmados no momento da compra, pois o preço final pode variar conforme a região e as condições comerciais.

Concorrentes e preços

o Honda HR-V Touring 2026, com preço de referência de R$ 214.000, concorre com SUVs compactos topo de linha e modelos médios. Entre as principais alternativas estão o Hyundai Creta Ultimate 1.6 Turbo, por R$ 198.990; o Nissan Kicks Platinum, na faixa de R$ 199 mil; o BYD Song Pro, por cerca de R$ 199.990; o GWM Haval H6 HEV One, na faixa de R$ 199 mil; e o Toyota Corolla Cross XRX 2.0, que também disputa compradores nessa faixa de preço.

Os valores de T-Cross, Tracker, Corolla Cross e Compass são referências aproximadas de posicionamento de mercado, e não cotações confirmadas para todas as versões e condições comerciais em 26 de outubro de 2026. Para uma comparação definitiva, é importante consultar os preços vigentes e confrontar versões equivalentes. O Creta Ultimate, por sua vez, tem preço público divulgado de R$ 198.990 para o ano-modelo 2026/2027.

A comparação mostra um dos principais desafios da Touring: seu preço se aproxima do território dos SUVs médios. Em compensação, o HR-V oferece motor turbo flex, bom aproveitamento da cabine, equipamentos de segurança e uma proposta mais compacta para circular e estacionar na cidade.

Vendas no Brasil: desde o lançamento até 2026

O HR-V construiu uma trajetória comercial consistente no Brasil. Em 2025, ano em que completou dez anos de produção nacional, registrou 61.227 emplacamentos, segundo os dados da Fenabrave. Foi o melhor resultado anual do modelo até então, levando o acumulado de sua trajetória no país para perto de 500 mil unidades.

Em 2026, porém, o ritmo de vendas ficou abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. De janeiro a setembro, o HR-V acumulou aproximadamente 33.584 unidades emplacadas, contra 45.153 no intervalo equivalente de 2025, uma queda próxima de 25,6%. Os números consideram todas as versões do modelo, e não apenas a Touring.

Esse resultado mostra que, embora continue relevante no segmento, o HR-V enfrenta concorrência forte de modelos como T-Cross, Creta, Tracker e Corolla Cross. A linha 2026 atualizada ajuda a manter o produto competitivo, mas o preço elevado das configurações turbo é um fator que pode influenciar a decisão de compra.

Motor, câmbio e desempenho

O Honda HR-V Touring 2026 utiliza motor 1.5 DI VTEC Turbo Flex, de quatro cilindros, com injeção direta de combustível e turbocompressor. A potência máxima é de 177 cv a 6.000 rpm, tanto com gasolina quanto com etanol. O torque chega a 24,5 kgfm entre 1.700 e 4.500 rpm, uma faixa ampla que favorece as retomadas e reduz a necessidade de manter o motor em rotações elevadas para obter respostas mais rápidas.

O câmbio é automático do tipo CVT, com simulação de sete marchas e borboletas atrás do volante para intervenções manuais. Diferentemente de uma transmissão automática convencional com engrenagens fixas, o CVT varia continuamente a relação de transmissão. Essa característica favorece a suavidade e permite manter o motor em uma faixa de funcionamento adequada, embora possa provocar aumento perceptível de rotação e ruído quando o acelerador é pressionado com mais intensidade.

Segundo os dados divulgados para o conjunto, a aceleração de zero a 100 km/h ocorre em aproximadamente 8,9 segundos. É um desempenho compatível com a proposta da versão e suficiente para ultrapassagens e entradas em rodovias, desde que o motorista avalie corretamente as condições de tráfego e a distância disponível.

O motor turbo é a principal diferença dinâmica em relação às versões EX e EXL, equipadas com o 1.5 aspirado de 126 cv. A potência adicional aparece sobretudo nas retomadas, nas subidas e em situações nas quais o carro precisa ganhar velocidade rapidamente. A entrega de torque em baixas e médias rotações também contribui para reduzir a sensação de esforço em aclives ou com o veículo carregado.

A combinação entre o turbo e o CVT prioriza a progressividade. Em condução moderada, as respostas são suaves, e o conjunto evita trocas perceptíveis de marcha. Quando o motorista exige aceleração máxima, a transmissão eleva a rotação para aproveitar a potência disponível. Nesse momento, o ruído do motor se torna mais evidente, uma característica comum em veículos equipados com CVT.

As borboletas atrás do volante permitem selecionar relações simuladas e dão ao motorista maior controle em situações específicas, como descidas longas ou retomadas. Entretanto, não transformam o CVT em uma transmissão de marchas fixas: a sensação de funcionamento continua diferente daquela encontrada em um câmbio automático convencional de seis ou oito velocidades.

Suspensão, direção e comportamento dinâmico

A suspensão dianteira utiliza o sistema independente McPherson, enquanto a traseira adota eixo de torção. A direção tem assistência elétrica progressiva, e a tração é dianteira. É uma arquitetura comum entre SUVs compactos, escolhida por equilibrar custo, aproveitamento de espaço e comportamento dinâmico.

Na cidade, a direção leve facilita manobras e estacionamentos. O motorista encontra boa visibilidade da dianteira, embora seja necessário se adaptar aos limites da carroceria ao manobrar em espaços estreitos. A posição de dirigir elevada ajuda a observar o trânsito, e o diâmetro de giro favorece o uso cotidiano.

A suspensão precisa conciliar a absorção de irregularidades com o controle dos movimentos da carroceria. Em pisos bem conservados, o HR-V tende a rodar de maneira estável e confortável. Já em ruas esburacadas, lombadas mais pronunciadas e remendos sucessivos, as rodas de 18 polegadas e os pneus de perfil 50 podem transmitir parte dos impactos à cabine. Não chega a comprometer a utilização, mas é um aspecto a considerar para quem circula frequentemente em vias deterioradas.

Em curvas, a carroceria apresenta os movimentos esperados para um SUV dessa categoria, e a suspensão traseira por eixo de torção atende à proposta de uso familiar. A calibragem busca manter estabilidade sem tornar a condução excessivamente rígida. Em mudanças rápidas de direção, o motorista deve considerar a altura e o peso do veículo, evitando esperar o comportamento de um hatch esportivo.

Na estrada, o conjunto demonstra boa estabilidade em velocidades de cruzeiro, desde que os pneus estejam em boas condições e calibrados conforme a recomendação do fabricante. A direção elétrica facilita correções de trajetória, e o motor turbo permite retomar velocidade sem exigir acelerações muito longas. O controle de cruzeiro adaptativo e o assistente de permanência em faixa também podem reduzir o esforço em viagens, embora permaneça necessária a supervisão constante do motorista.

A suspensão traseira por eixo de torção é uma solução mais simples que os sistemas independentes encontrados em alguns SUVs médios. Isso não significa, por si só, comportamento inadequado, mas representa uma diferença técnica relevante para quem compara o HR-V com veículos de maior porte e preço semelhante.

Consumo de combustível

De acordo com os dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o HR-V Touring 1.5 turbo flex registra os seguintes números oficiais:

Consumo de combustível (Inmetro): o Honda HR-V Touring 2026 registra médias de 7,9 km/l na cidade e 8,8 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, faz 11,3 km/l no ciclo urbano e 12,6 km/l no rodoviário.

Os resultados são coerentes com um SUV turbo flex de 177 cv, mas não colocam a Touring entre as versões mais econômicas do próprio HR-V. O motor aspirado das versões EX e EXL pode consumir menos combustível, principalmente em condições de condução urbana moderada.

No uso real, o consumo depende do trânsito, da topografia, da carga transportada, do uso do ar-condicionado e da intensidade das acelerações. Em congestionamentos, o motor turbo pode trabalhar por mais tempo em condições desfavoráveis à eficiência. Na estrada, a manutenção de velocidade constante tende a favorecer o consumo, enquanto ultrapassagens frequentes e velocidades elevadas aumentam a demanda de combustível.

Para quem roda muitos quilômetros por ano, vale calcular o custo por quilômetro considerando o combustível utilizado e o preço praticado na região. A versão Touring entrega desempenho superior ao das configurações aspiradas, mas essa vantagem precisa ser ponderada diante do preço de aquisição e do gasto de combustível.

Impressões ao dirigir: cidade e estrada

No trânsito urbano, o HR-V Touring se beneficia da direção leve, da posição de dirigir elevada e da suavidade do câmbio CVT. Em saídas de semáforos e acelerações moderadas, o conjunto responde de maneira progressiva. O torque disponível desde 1.700 rpm ajuda a movimentar o SUV sem exigir rotações muito altas, e a transmissão mantém a condução fluida.

Em situações que exigem uma aceleração mais forte, o motor turbo mostra sua vantagem sobre as versões aspiradas. A resposta é mais rápida, principalmente quando é necessário entrar em uma via movimentada ou ganhar velocidade em um trecho curto. Ainda assim, o motorista percebe o funcionamento característico do CVT quando o acelerador é pressionado a fundo. A rotação sobe e pode permanecer elevada durante a aceleração, sem as interrupções de torque associadas às trocas de um câmbio convencional.

A suspensão lida bem com as irregularidades comuns de vias urbanas, mas não elimina todos os impactos. Em pisos ruins, o conjunto de rodas e pneus pode deixar a cabine mais sujeita a pancadas secas. Para um SUV de R$ 214 mil, seria desejável um isolamento ainda melhor dessas irregularidades, especialmente para quem utiliza o veículo diariamente em ruas com pavimentação irregular.

Na estrada, a Touring revela com mais clareza a vantagem do motor turbo. As retomadas são consistentes, e há potência suficiente para ultrapassagens seguras quando realizadas com planejamento. O torque em uma faixa ampla de rotações contribui para manter o ritmo em aclives e reduz a necessidade de antecipar tanto as acelerações quanto nas versões aspiradas.

O câmbio prioriza a eficiência e o conforto, mas o comportamento em acelerações fortes pode não agradar a quem prefere a sensação de mudanças de marcha bem definidas. As borboletas permitem intervenções pontuais, embora o funcionamento continue baseado na variação contínua das relações.

Em velocidades de cruzeiro, o HR-V transmite estabilidade e a direção exige poucas correções em condições normais. O controle de cruzeiro adaptativo é útil em viagens longas e pode acompanhar o ritmo do trânsito, inclusive em velocidades baixas, conforme as condições de funcionamento do sistema. O assistente de faixa oferece apoio adicional, mas não substitui a atenção do condutor nem a necessidade de manter as mãos e o controle sobre o volante.

O espaço para os ocupantes, a posição dos bancos e a ergonomia dos comandos contribuem para reduzir o cansaço em trajetos prolongados. O porta-malas de 354 litros, porém, pode exigir melhor organização da bagagem em viagens com quatro ou cinco pessoas. Famílias que transportam malas grandes com frequência podem encontrar maior conveniência em SUVs médios com compartimentos de bagagem mais amplos.

No balanço geral, o HR-V Touring não pretende ser um SUV esportivo. Seu foco está na combinação de desempenho suficiente, facilidade de condução, equipamentos de segurança e conforto para o uso diário. O motor turbo melhora consideravelmente a elasticidade do conjunto, enquanto a transmissão CVT privilegia a suavidade. A suspensão atende à proposta familiar, mas o perfil dos pneus e a arquitetura traseira impõem limites ao conforto em pavimentos ruins e ao refinamento diante de alguns concorrentes mais caros.

Conclusão

O Honda HR-V Touring 2026 é uma opção consistente para quem procura um SUV compacto com motor turbo flex, bom espaço para os ocupantes, equipamentos de segurança abrangentes e condução simples no dia a dia. O desempenho do motor 1.5 turbo de 177 cv é um diferencial importante em relação às versões aspiradas, principalmente nas retomadas e nas viagens rodoviárias. A regulagem elétrica do banco do motorista, a tampa elétrica do porta-malas e os sistemas de assistência também ajudam a justificar sua posição no topo da linha.

Entre os pontos positivos estão o conjunto mecânico, a ergonomia, o aproveitamento da cabine, a suavidade em condução moderada e a presença do Honda Sensing. Entre as ressalvas, o preço de R$ 214 mil coloca a Touring em uma faixa na qual já existem SUVs médios, o porta-malas de 354 litros não é dos maiores e a suspensão pode transmitir impactos em pisos deteriorados. O funcionamento do CVT também exige adaptação de quem prefere respostas com trocas de marcha mais definidas.

A escolha, portanto, depende do que o comprador prioriza. Para quem valoriza um SUV compacto, com motor turbo e condução previsível, a Touring tem argumentos sólidos. Já quem precisa de maior capacidade de bagagem, procura um comportamento mais refinado em pisos ruins ou deseja um veículo de porte médio deve comparar as alternativas antes de decidir.

Em vendas, o HR-V encerrou 2025 com 61.227 emplacamentos e acumulado próximo de 500 mil unidades desde o início de sua trajetória nacional. Até setembro de 2026, foram aproximadamente 33.584 unidades, resultado inferior ao do mesmo período de 2025. O modelo continua relevante no mercado brasileiro, mas a concorrência e o preço elevado da versão Touring tornam cada vez mais importante avaliar o conjunto completo, e não apenas a reputação da marca ou a potência do motor.

*FICHA TÉCNICA:

Motor: 1.5 DI VTEC Turbo Flex, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, com injeção direta de combustível e turbocompressor.

Cilindrada: 1.498 cm³.

Potência máxima: 177 cv a 6.000 rpm, com etanol ou gasolina.

Torque máximo: 24,5 kgfm entre 1.700 e 4.500 rpm.

Transmissão: automática do tipo CVT, com sete marchas simuladas e borboletas para trocas manuais atrás do volante.

Tração: dianteira.

Direção: elétrica progressiva.

Aceleração de 0 a 100 km/h: aproximadamente 8,9 segundos.

Velocidade máxima: aproximadamente 200 km/h.

Consumo urbano: 7,9 km/l com etanol e 11,3 km/l com gasolina.

Consumo rodoviário: 8,8 km/l com etanol e 12,6 km/l com gasolina.

Suspensão dianteira: independente, tipo McPherson.

Suspensão traseira: eixo de torção.

Freios dianteiros: discos ventilados.

Freios traseiros: discos sólidos.

Rodas: liga leve de 18 polegadas, com acabamento diamantado.

Pneus: 225/50 R18.

Comprimento: 4.385 mm.

Largura: 1.790 mm.

Altura: 1.590 mm.

Distância entre-eixos: 2.610 mm.

Peso em ordem de marcha: aproximadamente 1.408 kg.

Porta-malas: 354 litros.

Tanque de combustível: 50 litros.

Altura livre do solo: aproximadamente 181 mm.

Capacidade: cinco ocupantes.

Equipamentos de segurança: seis airbags, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e pacote Honda Sensing, que inclui controle de cruzeiro adaptativo, frenagem para mitigação de colisões, assistente de permanência em faixa, sistema de mitigação de saída de pista e farol alto automático.

Equipamentos de conforto e conveniência: ar-condicionado automático, central multimídia com conectividade para smartphones, bancos dianteiros com ajustes específicos da versão, banco do motorista com regulagem elétrica, partida remota, chave presencial, freio de estacionamento eletrônico com Brake Hold e tampa do porta-malas com acionamento elétrico.

Preço sugerido: R$ 214.000, conforme a referência de preço utilizada no teste. É recomendável confirmar o valor vigente na data da publicação.

*Dados do fabricante

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