Avaliação do Leapmotor C10 BEV Elétrico 2026

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Por Marcus Lauria (texto e fotos)

O Leapmotor C10 marca a estreia da marca chinesa no Brasil em parceria com a Stellantis, chegando ao mercado em 2026 como seu primeiro produto por aqui. Globalmente, o modelo já existia como um SUV médio elétrico focado em tecnologia e eficiência, mas foi adaptado para atender também às necessidades de mercados como o brasileiro, incluindo a inédita proposta com tecnologia REEV. Ainda assim, o grande destaque inicial fica para a versão 100% elétrica (BEV), que foi a avaliada neste teste e representa a proposta mais pura da marca em termos de condução elétrica.

CONFIRA O VÍDEO: https://youtu.be/EmemRVZSlcY?si=cNHPCKoUATq_XHET

Na linha 2026, o C10 é oferecido em configuração única de acabamento, sempre bem equipada, com duas opções de motorização: a elétrica (BEV), que foi a testada, e a Ultra-Híbrida com tecnologia REEV, que utiliza um motor a combustão apenas como gerador de energia. Na prática, ambas mantêm tração exclusivamente elétrica, mas a BEV entrega uma experiência mais direta, sem interferências de gerenciamento do gerador, enquanto a REEV amplia a autonomia total para quem roda longas distâncias com frequência.

No design exterior, o C10 segue uma linha moderna e limpa, com proporções que reforçam sua presença como SUV médio. São quase 4,74 metros de comprimento, com boa largura e entre-eixos generoso, o que se traduz em porte próximo ao de modelos já consolidados no segmento. A dianteira é marcada pelos faróis full LED com iluminação adaptativa e pela ausência de grade tradicional, algo típico de elétricos, contribuindo para melhor eficiência aerodinâmica. As laterais trazem superfícies lisas, maçanetas embutidas e rodas de 20 polegadas, enquanto a traseira adota lanternas interligadas por uma barra iluminada. No geral, o conjunto prioriza eficiência sem abrir mão de identidade visual própria.

Por dentro, o C10 segue uma proposta minimalista, com forte dependência da central multimídia de 14,6 polegadas para praticamente todos os comandos do veículo. O acabamento utiliza materiais macios ao toque em boa parte do painel e portas, com montagem bem alinhada. O espaço interno é um dos pontos fortes, especialmente no banco traseiro, favorecido pelo entre-eixos de mais de 2,82 metros e pelo assoalho plano. Há boa área para pernas e cabeça, além de saídas de ar dedicadas. O porta-malas oferece 465 litros na versão elétrica, número competitivo para a categoria, além de um compartimento adicional dianteiro de 32 litros, ampliando a versatilidade no uso diário.

Em termos de equipamentos, o C10 chega com uma lista bastante completa já de série, sem pacotes opcionais relevantes. Entre os destaques estão os sete airbags, teto panorâmico, bancos dianteiros com ajustes elétricos, aquecimento e ventilação, sistema de som com 12 alto-falantes e 840W, câmeras 360º com diferentes modos de visualização, chave digital via smartphone, iluminação ambiente configurável e o pacote completo de assistências à condução (ADAS nível 2). Não há, até o momento, opções de personalização relevantes além de acessórios Mopar.

As cores disponíveis incluem tons como Verde Boreal e Cinza Tundra, além de outras opções neutras. A marca não detalha diferenças de preço entre cores, o que indica que, ao menos nesse início, não há cobrança adicional relevante por tonalidade. O preço parte de R$ 189.990 para a versão elétrica e R$ 199.990 para a REEV.

Entre os principais concorrentes, o C10 se posiciona próximo de modelos como BYD Song Plus (a partir de cerca de R$ 229 mil), GWM Haval H6 (na faixa de R$ 214 mil a R$ 244 mil) e alguns elétricos médios como o Volvo EX30 (acima de R$ 229 mil nas versões mais completas). Frente a esses rivais, o Leapmotor aposta no custo mais baixo aliado a um pacote tecnológico amplo. Por ser um lançamento recente, ainda não há números consolidados de vendas no Brasil, nem acumulados históricos relevantes até o momento.

Na motorização, a versão BEV utiliza um motor elétrico traseiro com 218 cv e 32,6 kgfm de torque, sempre associado a uma transmissão de relação fixa, como é padrão em elétricos. A tração traseira contribui para melhor distribuição de peso e comportamento dinâmico mais equilibrado. A suspensão é independente nas quatro rodas, com acerto voltado ao conforto, sem perder estabilidade em velocidades mais altas.

No consumo, como todo elétrico, o foco está na eficiência energética e autonomia, que varia conforme o uso. Em ciclo urbano, o modelo tende a ser mais eficiente graças à regeneração de energia nas frenagens, enquanto em rodovias o consumo aumenta devido à maior resistência aerodinâmica e velocidades constantes mais altas. A recarga rápida permite ir de 30% a 80% em cerca de 18 minutos em condições ideais.

Ao dirigir, o C10 BEV entrega uma experiência típica de elétrico, com respostas imediatas ao acelerador e funcionamento silencioso. No uso urbano, isso se traduz em agilidade no trânsito e facilidade em retomadas curtas. A direção é leve em baixas velocidades e ganha peso progressivamente. A suspensão absorve bem irregularidades, embora em pisos mais degradados haja certa transmissão de impactos secos, algo comum em veículos com rodas grandes e foco em eficiência.

Em rodovias, o comportamento é estável, com boa manutenção de trajetória e baixo nível de ruído interno. O desempenho é suficiente para ultrapassagens seguras, ainda que não seja esportivo. O gerenciamento eletrônico limita respostas mais agressivas em favor da autonomia. A frenagem regenerativa pode ser ajustada, permitindo condução com menor uso do pedal de freio em algumas situações.

No balanço geral, o Leapmotor C10 BEV chega como uma alternativa competitiva entre SUVs eletrificados, combinando bom espaço interno, pacote tecnológico amplo e preço inicial mais acessível que parte dos concorrentes diretos. Ainda carece de histórico de mercado e rede consolidada no Brasil, fatores que influenciam diretamente na confiança do consumidor e nas vendas ao longo do tempo. Por enquanto, os números de emplacamento ainda são iniciais, sem volume expressivo acumulado em 2025 e início de 2026, mas a expectativa da marca é crescer gradualmente com a expansão da rede e da linha de produtos.

*FICHA TÉCNICA:

Motorização: Elétrico (traseiro) com 218 cv de potência e 32,6 kgfm de torque.

Bateria: 69,9 kWh (LFP), permitindo carregamento rápido DC de 30% a 80% em aproximadamente 22-30 minutos.

Tração: Traseira.

Dimensões: Aproximadamente 4,74 m de comprimento, 1,90 m de largura, 1,68 m de altura e 2,82 m de entre-eixos.

Porta-malas: 435 a 465 litros.

Velocidade Máxima: ~170 km/h.

Aceleração (0-100 km/h): ~7,3s – 7,5s.

*Dados do fabricante

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