Caminhão que causou acidentes em série na Penha está no nome da viúva do motorista

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O caminhão reboque dirigido pelo atropelador de dez pessoas Foto: reprodução

O caminhão-reboque que causou acidentes em série na tarde desta terça-feira, na Penha, Zona Norte do Rio, está no nome da viúva do homem que conduzia o veículo, identificado como Carlos Henrique Dantas Sarmento, de 40 anos. Agredido por populares ao fim da sequência de colisões, o motorista chegou a ser socorrido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, no mesmo bairro, mas já chegou sem vida à unidade. As causas da morte ainda estão sendo investigadas.

Contatada por intermédio do número disponível na lataria do automóvel logo após o ocorrido, a viúva disse informalmente aos policiais que, até aquele momento, não sabia nada sobre os acidentes. À tarde, ela esteve no Getúlio Vargas para reconhecer o corpo do marido. Até a noite desta terça, a mulher, que não teve o nome divulgado, ainda não havia prestado depoimento na 22ª DP (Penha), que apura o caso.

Através de consultas nos bancos de dados públicos com a placa do reboque, fabricado em 2003, é possível encontrar três multas envolvendo o veículo — todas de 2015. Duas são por estacionar no passeio, ambas em São Cristóvão, também na Zona Norte; a terceira, por transitar acima da velocidade permitida em até 20%, foi registrada em Jacarepaguá, na Zona Oeste.

Em um trajeto de pouco mais de um quilômetro, mais da metade dele na contramão, Carlos Henrique atropelou dez pessoas e bateu em nove carros e uma moto. Testemunhas relataram que o motorista parecia alterado ao volante do caminhão-reboque. Ao chegar ao hospital, ele tinha no bolso uma embalagem de pó branco. O material, que aparentava ser cocaína, foi entregue à polícia e será submetido a perícia.

A primeira batida ocorreu pouco antes das 13h, próximo à entrada do Parque Shangai, quando o caminhão-reboque acertou em cheio um Chevrolet Onix, que sofreu perda total. Aparentemente em fuga, o motorista também atingiu, em seguida, uma árvore, uma banca de jornal e um poste.

“Eu demorei a entender o que estava acontecendo. Só senti a pancada e, depois, o carro girando. Por sorte não aconteceu nada ainda mais grave, até porque era horário de saída de escola”, contou a motorista do Onix, pedindo para não ser identificada.

Apenas cinco das vítimas tiveram os nomes divulgados. Segundo a direção do Hospital Getúlio Vargas, Nilson Conceição de Souza, Camila Ferreira de Araújo Paz e Lorhan Perciliano Oliveira foram atendidos na unidade e receberam alta. Já o paciente Daher Vianna Siab continuava internado até o fim da noite de ontem, em estado de saúde estável. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, informou que Ana Lima, de 41 anos, recusou ser atendida e não chegou a ser levada para a unidade.

Inicialmente, a Polícia Militar chegou a divulgar que uma pedestre também teria morrido atropelada. Mais tarde, contudo, a corporação corrigiu a informação: na verdade, a vítima estava desmaiada no local do acidente, e PMs acreditaram que ela estaria morta — o corpo da mulher chegou a ser coberto com um lençol até que bombeiros corrigissem o equívoco.

 

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