Falta d’água prejudica moradores e comerciantes na Posse

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A comerciante Jane Alves tem comprado galões de água para preparar os alimentos de sua lanchonete Foto: Ivan Teixeira/Jornal de Hoje
A comerciante Jane Alves tem comprado galões de água para preparar os alimentos de sua lanchonete
Foto: Ivan Teixeira/Jornal de Hoje

O abastecimento irregular de água no bairro Jardim da Posse, em Nova Iguaçu, está atrapalhando o dia-a-dia de moradores e comerciantes da região, que estão sendo obrigados a “se virar nos 30” para garantir o banho de cada dia. Segundo a população, o fornecimento desse bem tão precioso está pendente há pelo menos três semanas. A Cedae, concessionária responsável pelo abastecimento de água, admitiu que o problema está sendo causado em decorrência de manobras feitas para garantir que o Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) e o Instituto Médico Legal (IML) não sejam prejudicados.
Na Avenida Henrique Duque Estrada Mayer, bem próximo ao Hospital da Posse, a população está assustada com a falta d’água. “O fornecimento sempre foi bom, mas de umas semanas para cá está acontecendo esse problema. Para sobreviver estamos comprando galão de 20 litros até mesmo para tomar banho”, disse Rosana das Graças, de 50 anos.
Já a dona de casa, Zete Duarte, 60, afirmou que chegou água em sua casa na madrugada de quinta-feira, mas poucas horas depois acabou novamente. “A falta d’água é geral, até mesmo na E.M. Guinle, onde meu filho estuda e está sendo liberado mais cedo todos os dias por causa da escassez”, disse.
A escola citada fica na Rua Oliveira Rodrigues Alves. “A Prefeitura está mandando caminhão de água para lá. Mas nós não temos condições de encomendar um carro-pipa”, disse Zete, que está acumulando água em galões de 100 litros para suprir as necessidades, como tomar banho, cozinhar, lavar a louça e as roupas.
O problema não afeta somente as residências. A comerciante Jane Alves, que possui uma lanchonete em frente ao Hospital da Posse, está tendo dificuldades para conseguir água e manter seu negócio. Jane possui uma cisterna na qual acumula água quando chega e garante a mesma por alguns dias. Porém, como a qualidade da água não é a das melhores, para fazer os alimentos precisa comprar galões.

Cedae admite manobras para favorecer hospital

De acordo com a Cedae, o abastecimento na região foi prejudicado pela estiagem nas represas do Rio D’Ouro e de Tinguá, que abastecem a região. “A Cedae vem realizando manobras na rede para reforçar o fornecimento de água, garantindo o abastecimento do Hospital da Posse e do IML. Pedimos a moradores cujo fornecimento tenha sido prejudicado que entrem em contato informando o endereço para que possamos enviar técnicos”, diz um trecho da nota.
De acordo com a concessionária, “a irregularidade nos períodos de seca será encerrada com a conclusão das obras do Novo Guandu e do Programa de Abastecimento de Água para a Baixada Fluminense, com investimentos de R$ 3,4 bilhões e obras já em andamento, que vai garantir a construção de uma nova estação de tratamento, 96 km de adutora, construção e reforma de 17 elevatórias, construção de 17 reservatórios e reforma de oito já existentes, 498 km de troncos distribuidores e 261 km de redes de distribuição em Nova Iguaçu, Belford Roxo, Duque de Caxias, São João de Meriti, Queimados, Nilópolis e Mesquita”.
Por Erick Bello

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