Intolerância: secretário de Direitos Humanos recebe líderes religiosos

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Uma mãe de santo foi obrigada a destruir imagens de um terreiro de Nova Iguaçu

O Secretário Estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, Átila Alexandre Nunes, recebeu ontem lideranças de religiões de matriz africana de Nova Iguaçu, para discutir o aumento dos casos de intolerância religiosa no município. O encontro aconteceu às 15h na sede da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI). A pasta recebeu uma denúncia de intolerância religiosa a cada dois dias nos últimos dois meses. Vinte e cinco por cento dos casos foram registrados em Nova Iguaçu.

“Encontros como esse são fundamentais para ouvirmos diretamente as vítimas destes crimes que sofrem com os ataques no município. Umbandistas e Candomblecistas representam 87% dos casos de intolerância no estado e Nova Iguaçu é o município da Baixada Fluminense com o maior número de terreiros”, diz o secretário de Direitos Humanos, Átila Alexandre Nunes.

Para que crimes de intolerância religiosa, entre outros casos de preconceito, sejam identificados e tratados com mais agilidade a SEDHMI criou o Disque Combate ao preconceito. Através do número (21) 2334 9551 a Secretaria recebeu 41 denuncias no primeiro mês de funcionamento. O canal funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h.
Em setembro deste ano, um caso ganhou repercussão nacional. Um terreiro de candomblé foi atacado por bandidos em Nova Iguaçu. Sete criminosos armados invadiram o barracão, no bairro Ambaí, durante uma sessão. Eles obrigaram a yalorixá, sacerdotisa no local, a destruir as próprias imagens sob a mira de uma arma. Toda a ação foi gravada e divulgada pelos criminosos nas redes sociais. Testemunhas disseram que os bandidos chegaram a urinar nos santos, dizendo que não permitiriam a prática de “bruxaria” naquela comunidade. Os “filhos de santo”, como são chamados os fiéis, foram obrigados a deixar o local. Criminosos usaram os canos das armas para arrancar as “guias”, um tipo de cordão, do pescoço deles.

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