Justiça climática e desigualdade social abrem semana do meio ambiente em Belford Roxo

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A discussão sobre Justiça Climática e Desigualdade Social marcaram a abertura da Semana do Meio Ambiente em Belford Roxo. O evento promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMAS) foi realizado no auditório da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SEMASC), na Rua Retiro da Imprensa, 1.423, Bairro Piam, e reuniu representantes de vários segmentos sociais. O tema gerou debate entre palestrantes e participantes, envolvendo aspecto social, cultural e arqueológico, em estilo de podcast (programa de áudio ou vídeo publicado na internet).

A mesa principal foi composta pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Flávio Gonçalves; secretário municipal de Assistência Social, Diogo Bastos; a professora e Assistente Social, fundadora da Ong Sim, Eu Sou do Meio, Débora Silva; o historiador do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), William Cruz, e o agente efetivo da Secretaria Municipal de Defesa Civil, professor Roberto Ricardo, que esteve representando o secretário municipal de Defesa Civil, Evalder Perini. Todos abordaram ações e experiências vividas em situações de calamidade ocorridas no município.

Pilares importantes

Para o secretário de Meio Ambiente, a prática de políticas públicas em várias áreas é uma das maneiras de prevenção em favor do meio ambiente. Segundo Flavinho, como é conhecido o secretário, a realização de obras feitas pelo ex-prefeito Marcio Canella, em um período de um ano, melhoraram a qualidade de vida da população. Ele deu exemplo de lixões que viraram complexo de lazer e também a obra de canalização e urbanização do Canal de Maxambomba. “Serão cerca de 250 metros de área coberta, onde vai funcionar o Mercado Produtor, com banheiros e boxes para os feirantes. A obra vai gerar novos empregos e acabar com os alagamentos em época de chuva”, destacou.

Capacitação e conscientização

Flavio Gonçalves assegurou que Educação, Saúde, Segurança Pública e a Geração de Trabalho e Renda também são pilares importantes para preservar o meio ambiente. “A Educação é a base de tudo, qualifica, capacita, conscientiza e instrui o cidadão. Ações voltadas para Saúde, entre elas, obras de saneamento básico, melhoram a qualidade de vida.  As intervenções na Segurança Pública na cidade vão atrair novos investidores. Tudo isso é bom demais. O município tem que estar fortalecido para combater a crise climática. Sem políticas públicas levadas a sério, a população mais vulnerável é aquela que vai arcar com as consequências”, frisou.

Trabalho de conscientização

Quando as chuvas são fortes demais e os rios transbordam as Secretarias de Assistência Social e Cidadania e a de Defesa Civil são as mais solicitadas. Diogo Bastos é taxativo quando ouve alguém dizer que a Secretaria de Assistência Social tem que dar coisas. “Isso virou uma cultura. Assistência Social não dá nada. Trabalhamos com pessoas e com a garantia e oferta de direitos, com a Proteção Básica e de Média e Alta Complexidade. E na questão do meio ambiente, promovemos reuniões socioeducativas com nossos técnicos para as comunidades, através dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), como forma de conscientização”, disse Diogo.

Prevenção e desastres

Agente da Defesa Civil, há 26 anos, Roberto Ricardo, responsável pela Divisão de Projetos, garante que todos que atuam na prevenção e desastres, de alguma forma, prestam serviço de Defesa Civil. “Todos nós somos Defesa Civil”, disse. “A Defesa Civil trabalha de forma intersetorial e às vezes a população não sabe disso e acredita que o órgão tem que fazer tudo. Em situações de mudança clímática, casos de sinistros, o apoio institucional é fundamental. Cada secretaria tem a sua função no acolhimento, abrigo, vacinação entre outras coisas. Tem que haver planejamento e a comunicação tem que ser intensiva junto à população”, afirmou Roberto.

Lugar de potencialidade

A Assistente Social e fundadora da Ong Sim, Eu Sou do Meio, Débora Silva e o historiador do IAB, William Cruz também defenderam a prática de políticas como forma de prevenção ao meio ambiente. “A Baixada Fluminense é lugar de potencialidade e de pouco investimento. Já tomei banho no Rio da Prata”, disse ela, lamentando as condições atuais. Se as políticas públicas fossem constantes as organizações não governamentais não precisariam existir”, disparou.

“História, arqueologia e meio ambiente andam juntos. A Baixada Fluminense já teve seus rios navegáveis como principais acessos à Estrada do Ouro. Tinha um poder econômico importante. Há ainda muitos sítios arqueológicos perdidos”, destacou William que responde pelo IAB, existente no município há 65 anos. Nele há uma múmia de uma criança com mais de três mil anos. “Não podemos falar em meio ambiente sem defender os patrimônios”, defende ele.

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