
Diversas pessoas quem têm parentes envolvidos com o tráfico optaram por ir embora da Rocinha com medo de represálias do bando invasor
“Tem um monte de gente assim. Quem tem parente no tráfico, mesmo não tendo nada com isso, preferiu fugir”, disse um homem.
Na última sexta-feira, a polícia também encontrou refugiados da Rocinha. Uma equipe da Polícia Civil tentava prender Danúbia de Souza Rangel. Mulher de Nem da Rocinha, ela teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Os policiais foram checar a informação de que a foragida estava escondida em uma casa num condomínio de classe média de Jacarepaguá, na Zona Oeste.
Danúbia não foi encontrada. Porém, na residência, havia quatro pessoas que saíram da Rocinha. Duas com algum tipo de ligação com traficantes. Como não tinha anotações criminais na polícia, o grupo foi liberado. Eles ainda estariam morando no local.
Quem preferiu continuar morando na Favela da Rocinha também tem medo. Moradores disseram que, como a guerra pelos pontos de venda de drogas ainda não teve um vencedor, o cotidiano na comunidade sofreu alterações.
“A pior coisa para um morador é o racha interno de uma quadrilha, como está acontecendo aqui na Rocinha. A gente evita até chegar tarde em casa. Pode sobrar tiro para a gente”, observou um morador.
Prefeito promete tapar buracos de tiros nas casas
O “banho de loja” prometido pelo prefeito Marcelo Crivella na Rocinha terá de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões. Uma das 26 obras que devem começar nesta quinta-feira é o fechamento de muitos buracos de tiros nas fachadas de imóveis. Foram prometidas ainda ações de limpeza, melhoria da iluminação, contenção de encostas e de tapa-buracos nas principais vias, além de caravana do emprego, cadastramento em programas sociais e biblioteca volante.
“Vamos reformar escolas e praças. Haverá pintura de fachadas de prédios e melhorias nas quadras (poliesportivas)”, acresentou Crivella, que nesta quarta-feira visitou a favela e brincou ao ver a fachada de uma filial da Igreja Universal sem marcas de disparos: — Deus protegeu. Na Universal, não bateu nenhum (tiro).
Traficantes do Comando Vermelho (CV) já estão comemorando a retomada da Rocinha, que estava desde 2004 sob domínio inimigo. Com a queda dos Amigos dos Amigos (ADA) de Nem, a maior e mais antiga facção do Rio voltaria a dominar a Zona Sul.
O CV tem vantagem. Entre as razões está a própria história da Rocinha. Em 2004, quando o CV de Dudu atacou a favela com cúmplices do Alemão, para destronar Luciano Barbosa, o Lulu, que pertencia à mesma quadrilha, o morro virou ADA.
Agora, o fenômeno parece se repetir. Devido a uma disputa interna, a ADA do Morro de São Carlos, com apoio de outras favelas, tentou invadir a ADA de Rogério 157. Há quem aposte que, sem disparar um tiro, o CV tenha reconquistado a favela.
















