Com faixas, apresentações culturais e um alerta sobre a importância da denúncia, Nova Iguaçu promoveu, nesta segunda-feira (18), uma mobilização pelo Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A ação, organizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), começou na Praça Rui Barbosa, seguiu pelas ruas do Centro da cidade e terminou no Paço Municipal com uma apresentação cultural. O evento reuniu profissionais da rede de proteção, crianças, adolescentes e moradores.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, revelam que o Brasil registrou 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025. O número é um dos maiores da série histórica iniciada em 2009. Somente nos últimos 10 anos, o acumulado já supera os 400 mil registros deste crime.
Outro dado que chama atenção é o crescimento das denúncias feitas pelo Disque 100, principal canal de denúncia de violações de direitos humanos. Em dois anos, a quantidade de denúncias mais que dobrou: passou de 39 mil, em 2023, para mais de 81 mil em 2025. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, no primeiro trimestre deste ano houve 36.892 denúncias pelo WhatsApp. O número é praticamente o mesmo contabilizado durante todo o ano de 2023.
“O abuso e a exploração sexual deixam marcas profundas e silenciosas. Por isso, falar sobre esse tema é um compromisso coletivo. Precisamos romper o silêncio, fortalecer a escuta, acreditar nas denúncias e proteger nossas crianças”, afirmou Elaine Medeiros, secretária municipal de Assistência Social, enfatizando a importância do Disque 100. “A responsabilidade é de todos nós: família, escola, sociedade e poder público. Cuidar da infância é defender o futuro”, complementou.
Após a caminhada de conscientização, crianças e adolescentes da Companhia de Artes da Casa do Menor, localizada em Miguel Couto, fizeram uma apresentação de dança ao público.
Como denunciar casos de abuso
Após uma denúncia de abuso ou exploração sexual contra crianças e adolescentes, o primeiro passo é registrar a ocorrência, por meio do Disque 100. A denúncia pode ser feita de forma anônima e deve ser comunicada sem receio. Romper o silêncio é essencial para reduzir a subnotificação e garantir proteção imediata à vítima.
Ao receber a informação, o Conselho Tutelar, órgão garantidor dos direitos da criança e do adolescente, em conjunto com a rede de proteção do município, investiga o caso. A partir dessa apuração, inicia-se um conjunto de ações destinadas a assegurar os direitos da criança ou do adolescente, incluindo atendimento social, proteção familiar, medidas de proteção e encaminhamentos necessários para a segurança e o acolhimento.

















