Por que o trajeto de trem na Baixada se tornou um risco de vida para o coração

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Com o aumento de 50% na mortalidade de idosos e hipertensos em dias de calor extremo, professor da Unig alerta: parar de suar é o sinal vermelho para colapso cardíaco – A Baixada Fluminense se tornou oficialmente o lugar mais quente do país neste verão. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que Seropédica registrou a maior temperatura do Brasil em janeiro de 2026, atingindo a marca de 41°C, superando regiões do Norte e Nordeste. O calor extremo, somado à superlotação dos transportes, por exemplo, pode virar emergência médica. Especialistas alertam que a mistura de vagões lotados e altas temperaturas é capaz de criar uma bomba-relógio cardíaca por “sobrecarga térmica”. Um dos órgãos que mais sofre com o calor excessivo é o coração, provocando um aumento de casos de infartos e AVC.

Paulo Henrique de Moura, doutor em cardiologia e professor de mestrado e de graduação em fisioterapia da Unig, classifica de “sobrecarga térmico-metabólica crítica” a situação atual da Baixada Fluminense. Segundo o especialista, o corpo entra em um verdadeiro conflito biológico: o coração precisa bombear sangue para os músculos aguentarem o esforço físico, mas, ao mesmo tempo, precisa desviar esse sangue para a pele na tentativa de resfriar o corpo.

“Essa dupla exigência acelera os batimentos cardíacos e direciona o fluxo sanguíneo para a periferia. O resultado imediato, em contextos urbanos, são os episódios de desmaio que vemos com frequência nos transportes. Com menos sangue chegando ao cérebro, ocorre a síncope, uma resposta de proteção do organismo para evitar danos neurológicos”, explica o professor da Unig.

A gravidade do quadro, no entanto, extrapola a Baixada Fluminense e se estende a todo o estado do Rio de Janeiro. Em apenas quatro dias durante o período das festas de fim de ano — entre 23 e 26 de dezembro de 2025 — mais de 2 mil pessoas buscaram atendimento na rede de saúde do Rio com queixas de mal-estar provocadas pelas altas temperaturas. A tendência, segundo especialistas, é de agravamento diante dos sucessivos picos de calor registrados no início deste ano.

O perigo do “sangue grosso” e o mito da pressão

O que inicialmente pode parecer apenas um mal-estar pode evoluir para morte súbita se os sinais não forem reconhecidos a tempo. Além do risco de desmaios, o calor extremo altera a química do sangue. Estudos recentes indicam que o risco de AVC pode aumentar em até 72% durante ondas de calor. A explicação está na desidratação, que torna o sangue mais concentrado e viscoso, favorecendo a formação de coágulos.

Paulo Henrique faz um alerta especial aos hipertensos, mais vulneráveis aos efeitos do estresse térmico. Ele chama atenção para as mudanças bruscas de temperatura, comuns no dia a dia urbano. “Existe um fenômeno perigoso nessa transição. Sair de um ambiente com ar-condicionado e entrar no ‘bafo’ quente da rua desencadeia uma resposta de estresse agudo. O corpo libera adrenalina, o que pode causar um pico paradoxal de pressão arterial e o rompimento de placas nas artérias”, alerta.

Por isso, uma das principais recomendações — válida durante todo o ano — é manter a medicação em dia. No verão, o cuidado deve ser redobrado: evitar exposição ao sol forte e reforçar a hidratação.

Sinal de alerta: quando o suor para

Para quem trabalha na rua ou enfrenta transporte lotado, o especialista destaca um sinal silencioso de que o coração pode estar entrando em falência térmica: a interrupção súbita da transpiração. Suar é um mecanismo essencial de regulação do corpo.

“Se a pele fica quente e seca, é um indicativo de que o organismo esgotou suas reservas de água ou de que o centro termorregulador falhou. Esse é o prelúdio da insolação e de uma emergência médica grave”, observa.

O que fazer em emergências no transporte?

Se alguém passar mal ao seu lado em um trem ou ônibus, a prioridade não é oferecer água imediatamente, mas resfriar a pessoa. “A janela de oportunidade é estreita. O ideal é deitar a vítima, elevar as pernas para favorecer o retorno de sangue ao cérebro e aplicar compressas frias ou água no pescoço, axilas e virilhas. A água só deve ser oferecida se a pessoa estiver totalmente consciente, para evitar risco de aspiração”, orienta Paulo.

Checklist de sobrevivência ao calor

●       Hidratação: Beba água antes de sentir sede.

●       Medicação: Hipertensos não devem alterar doses sem aval médico.

●       Sintomas de Perigo: Confusão mental, fala desconexa e pele seca e quente.

●       Primeiros Socorros: Resfriamento ativo (água na pele/vento) é a prioridade absoluta antes da chegada da ambulância.

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