*Carlos B. González Pecotche
Ao observar as enormes dificuldades que se apresentam aos homens de Estado que têm a seu cargo a reorganização do mundo, * muitas são as reflexões que surgem como imperativos naturais do momento que estamos vivendo, para explicar o porquê das questões que são suscitadas entre aqueles que devem encarar os mais árduos problemas que a perspectiva atual da humanidade apresenta. Uma delas assoma com freqüência no mirante de nossas idéias, para nos mostrar o cenário do mundo com marcante expressão de sublime caridade. Com efeito, mais de uma vez, para não obscurecer a razão com as grandes e densas nuvens que costumam preocupar além da conta a sensibilidade, tivemos de imaginar os homens que fazem e desfazem o mundo a seu capricho, como aquelas crianças que, tão logo acabam de armar o complicado mecanismo de um dos seus tantos brinquedos, por qualquer motivo o desmontam, para voltar a ele mais tarde e começar a tarefa novamente. O caso em questão nos apresenta algo parecido a um enorme quebra-cabeça, que, para ser montado, exige a colaboração de muito ao mesmo tempo, ocorrendo, porém, que ninguém está de acordo quanto à colocação das peças, pois cada um considera que a encontrada por ele é a que justamente falta para completar, ou pelo menos adicionar algo mais à formação da imagem que se quer construir.
Na verdade, até parece – e isto poderia ser atribuído a uma ironia do destino – que esse quebra cabeças mundial, que se compõe de uma infinidade de peças, multiplicou o número delas numa quantidade muito maior de pequenas peças, o que na realidade complica mais o assunto, já que, em assim sendo, é preciso montar primeiro cada uma das peças grandes, para só então coloca-las no grande tabuleiro.
Esta observação nos parece bem ajustada ao caso, visto que as grandes peças viriam a ser as que os construtores da nova humanidade estão descobrindo no terreno das relações as que são descobertas no cenário interno-político, social e econômico, etc. – pelos homens que têm a seu cargo a organização dos respectivos países.
Outra das reflexões que costumam tomar corpo em nossas horas de preocupação, já que não podemos permanecer alheios às aflições pelas quais a humanidade está passando, é a que se promove ao pensarmos que, se a ignorância jamais foi precursora do progresso, menos ainda se pode pregar o retorno às formas primitivas conhecido, como novas e estupendas descobertas. Idéias similares a esta nos mostram o constante fazer e desfazer em que os homens se debatem, em vez de buscarem soluções por meio de compreensões e procedimentos mais amplos, soluções que proporcionem facilidades mútuas, e não obstáculos, para o desenvolvimento da vida individual.
A humanidade já passou por bruscas e terríveis transições, havendo a última delas degenerado numa tragédia que podemos muito bem conceituar como a maior entre as sofridas no transcurso dos séculos. Seu estado de convalescença é, portanto, um fato integral, como integral também é o de que dificilmente poderia suportar uma nova experiência bélica. Os homens que estiveram e estão perto da realidade vivida deram já seu grito de alarme. Isso deve constituir agora um item de prevenção impossível de ser descuidado por aqueles que estão rearticulando as engrenagens do complicado organismo mundial.
A tarefa é imensa e árdua, porém isto deverá servir como o maior estímulo para os que conhecem a evidência da situação reinante, a fim de multiplicar os esforços para que a ansiada paz volte a reinar em todos os âmbitos da Terra.
*Autor da Logosofia – Carlos B. González Pecotche – Centro de Difusão e Informação de Nova Iguaçu
















