Comentando segurança e auxiliando na proteção dos cidadãos
No processo de retomada das comunidades há anos ocupada pelo tráfico, as forças de segurança do Rio de Janeiro optaram intranqüilizar os bandidos com a perspectiva da contraposição de um efetivo policial numeroso, fazendo, na maioria dos casos, com que os criminosos deixassem as comunidades antes da chegada da polícia. A ideia é que, uma vez fora de seus locais de esconderijo, a articulação desses bandidos fosse prejudicada e eles pudessem ser presos com mais facilidade.
Essa tática, adotada com a justificativa de poupar as populações locais dos riscos dos violentos tiroteios entre a polícia e bandidos desesperados certamente diminuiu os danos colaterais, mas, concomitantemente, permitiu que criminosos migrassem para outros locais com seu dinheiro e poderio bélico intocado.
Em um breve período de tempo a sensação de insegurança aumentou em Niterói, Região Serrana, Região dos Lagos, Macaé e nos diversos municípios da Baixada Fluminense, com cobertor sempre curto, tentamos resolver o problema do domínio territorial do tráfico nas favelas e os bandidos migraram para acossar o cidadão em suas próprias casas, na via pública, nas áreas suburbanas e rurais. Há aproximadamente um ano e meio, a nossa segurança pública começou a apresentar uma crise sem precedentes e desde então, da maneira mais traumática, cidadãos fluminenses vêm percebendo que não podem deixar sua segurança unicamente entregue a policia. Nenhuma polícia no mundo consegue ser onipresente e ainda que o posicionamento próximo de uma viatura ou de policiais a pé possa desencorajar ação de malfeitores, diminuir o tempo de reação do socorro em face da comunicação de um assalto ou, roubo a residências o quantitativo de efetivos e a disponibilidade de equipamento vem dificultando ainda mais o desempenho das forças de segurança. A verdade é que as pessoas são curiosas quanto as notícias da crônica policial, mas infelizmente não têm o costume de se precaverem, em sua maioria não são capazes de avaliar a vulnerabilidade de seus ambientes de casa, trabalho, nem mesmo as fragilidades ou as possibilidades que os seus hábitos e rotinas facultam aos criminosos. Em meio a tantos problemas, o cidadão precisa aprender a se salvaguardar e independentemente se sua formação pessoal ou carreira.
Em qualquer que seja o cenário, deve acostumar-se a antecipar-se aos perigos potenciais e a planejar o quê fazer em face de tais situações. Por tudo que está acontecendo atualmente me permito repetir considerações que eu teci num texto que escrevi em 2009: “Infelizmente é normal que dediquemos uma parcela muito pequena do nosso tempo planejando como nos proteger. Enquanto isso, criminosos que não conhecemos (às vezes até com a colaboração de pessoas próximas e aparentemente insuspeitas) concentram sua atenção na tentativa de detectar uma falha em nossos procedimentos, garantindo-lhes uma forma segura para nos atacar e fugir. Eles vão procurar perceber onde estão as nossas falhas e aí agirão.” Quando fui convidado para escrever uma coluna sobre segurança eu pensei que tão importante quanto comentar o que está acontecendo na segurança de nosso Estado, é promover algum tipo de conscientização sobre segurança para que as pessoas (principalmente jovens, mulheres e idosos) possam se proteger melhor das ações da criminalidade violenta e melhor “gerenciarem” (a despeito de todas as suas limitações) a sua própria segurança, de seus ambientes, de seus familiares. Meu objetivo será o de ajudar a tornar nossos leitores presas menos fáceis para os criminosos.
Vinicius Domingues Cavalcante, CPP, o autor, consultor em segurança, diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança – ABSEG – no Rio de Janeiro e membro do Conselho Empresarial de Segurança Pública da Associação Comercial do Rio de Janeiro. E-mail: vdcsecurity@hotmail.com
















