O que mudou e quais são as alternativas para antecipar o pagamento de precatórios de municípios?

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Petrópolis, São Gonçalo, Volta Redonda, Niterói, Nova Iguaçu e Cabo Frio acumulam R$ 1,22 bilhão em precatórios atrasados. Salários, aposentadorias e pensões respondem pela maior parte da fila. Com o fim do prazo de 2029, pagamento ficou sem data; conheça as saídas para receber sem esperar anos.

Levantamento exclusivo da PJUS, empresa líder nacional em negociação de precatórios, conduzido a partir de dados públicos do Portal do TJRJ de abril de 2026 (Regime Geral e Regime Especial), mostra que apenas seis municípios do interior e da Baixada Fluminense concentram 5.343 precatórios ativos e R$ 1,22 bilhão em saldo a pagar. O recorte equivale a quase um terço de todos os 16.710 precatórios em tramitação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Os números expõem um mercado pulverizado, com presença significativa em municípios médios, e que ganhou nova relevância depois da reforma constitucional. A maior concentração de credores está em Petrópolis, com 2.512 precatórios pendentes e R$ 300 milhões em saldo. O maior valor agregado está em São Gonçalo, com R$ 378,6 milhões. Cabo Frio, com R$ 205,4 milhões, é o único dos seis municípios com edital de acordo direto em vigor, uma modalidade prevista em lei pela qual o ente público negocia diretamente com os credores, com deságio.

“A nova regra constitucional retirou do credor o que ele tinha de mais valioso, a previsibilidade. Antes, havia um prazo definido para quitação. Hoje, esse horizonte depende da saúde fiscal de cada município. Para muitos credores, sobretudo os de natureza alimentar, faz mais sentido converter o crédito em dinheiro hoje do que aguardar um pagamento sem data marcada”, explica Giovani Junior, diretor comercial da PJUS.

Os números, município por município

O levantamento da PJUS, com base em informações oficiais do Portal do TJRJ, traz o seguinte recorte para os seis municípios analisados:

MunicípioPrecatóriosSaldo a pagarTicket médioDestaque
Petrópolis2.512R$ 300,0 miR$ 119 milMaior volume da amostra; 93% de natureza alimentar (2.340 precatórios)
São Gonçalo1.293R$ 378,6 miR$ 166 milMaior saldo agregado da amostra; um precatório de R$ 58,5 mi pendente desde 2014
Volta Redonda822R$ 168,2 miR$ 190 mil52% dos precatórios estão abaixo de R$ 50 mil
Niterói256R$ 69,6 miR$ 272 milÚnico município sob regime comum; histórico de pagamento em dia
Nova Iguaçu232R$ 93,9 miR$ 405 milSem edital de acordo direto desde 2022
Cabo Frio228R$ 205,4 miR$ 796 milEdital de acordo direto ativo (Edital 1/2025), com deságio de 40%
TOTAL5.343R$ 1,22 biQuase um terço dos precatórios ativos no TJRJ

Fonte: Portal TJRJ, abril de 2026. Levantamento PJUS.

Os números expõem um mercado pulverizado, com presença significativa em municípios médios, e que ganhou nova relevância depois da reforma constitucional. A Emenda Constitucional 136/2025 mudou de forma estrutural o regime de pagamento dos precatórios ao eliminar o prazo final de quitação de 2029 e fixar um teto anual de pagamento, que varia entre 1% e 5% da Receita Corrente Líquida de cada ente, mas sem data definida para pagamento. O novo cenário de “eternização” do passivo tem acelerado a busca por liquidez no mercado secundário, onde o titular do crédito pode antecipar o recebimento ao negociar seu precatório.

Um mercado em consolidação

O mercado secundário de precatórios no Rio de Janeiro reúne dois grupos distintos de compradores: fundos de investimento em direitos creditórios e gestoras especializadas em ativos judiciais, com foco em precatórios de maior valor, e plataformas e empresas de varejo, voltadas a credores pessoa física com tickets entre R$ 50 mil e R$ 10 milhões. A faixa de varejo, segundo o levantamento da PJUS, responde por 3.148 dos 5.343 precatórios mapeados nos seis municípios.

O ticket médio dos seis municípios é, em todos os casos, superior a R$ 100 mil — o que indica um perfil de credor distinto do encontrado em outras praças do país. A maior parte dos titulares é de natureza alimentar: salários atrasados, aposentadorias, pensões e indenizações trabalhistas reconhecidas judicialmente contra o município ou suas autarquias.

O perfil dos credores que buscam o varejo no Rio é, em grande medida, formado por professores, servidores municipais, aposentados, pensionistas e pequenos prestadores de serviço para a administração pública. São pessoas que já ganharam na Justiça e estão à espera, há anos, do que lhes é devido. Nosso papel é dar liquidez a quem precisa converter esse direito em dinheiro hoje, com transparência sobre o valor, sobre o deságio aplicado e sobre os passos do processo”, comenta Giovani.

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