A família da vítima de feminicídio Tauane Morais dos Santos, de 23 anos, contou que o marido dela já a tinha ameaçado e que brigas eram comuns no relacionamento. A jovem foi morta a facadas nesta quarta-feira no Distrito Federal, um dia depois que Vinícius Rodrigues de Sousa, de 24 anos, foi solto em audiência de custódia. Ele havia sido preso em flagrante na última segunda-feira por violência doméstica. Após desferir os golpes de faca na ex-mulher, tentou suicídio e foi levado para o Hospital Regional de Taguatinga.
Tauane e Vinícius deixaram o Piauí há cerca de três anos e se mudaram para Brasília. No início, moraram com a irmã de Tauane e o marido dela, Diego Bispo, mas não por muito tempo. Segundo Bispo, de 26 anos, os dois conseguiram empregos e alugaram uma casa.
O casal tem dois filhos, uma menina de 4 anos e um menino de 2, que também entraram nas medidas protetivas determinadas pelo juiz Aragonê Nunes Fernandes. Há alguns meses, a filha do casal voltou para o Piauí, onde mora com a avó. O menino, por sua vez, está aos cuidados do tio, que morava com Tauane em Brasília.
— Ele (irmão da vítima) não conseguiu ficar no mesmo apartamento e disse ter vontade de voltar para o Piauí — afirmou o cunhado da vítima ao EXTRA nesta sexta-feira.
O corpo de Tauane será velado na cidade onde mora sua família, no Nordeste.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou, por meio de nota, que não pode fornecer informações sobre estado de saúde de “pacientes internados na rede hospitalar, exceto casos de grande comoção e que não envolvam vítimas de crimes ou investigação policial”, para cumprir “diversas determinações de órgãos externos”.
De acordo com o Bispo, alguns dos parentes de Vinícius que moram no Piauí estão dizendo que ele morreu. No entanto, o cunhado de Tauane acredita que eles estão “tentanto acobertá-lo”.
Após Vinícius descumprir as medidas protetivas de urgência previstas na lei Maria da Penha, conforme determinou o juiz Aragonê Nunes Fernandes nesta terça-feira, ele deve ficar em prisão preventiva. Na na audiência de custódia sobre o caso nesta quinta-feira, Fernandes disse que não tem “bola de cristal” para “prever aqueles que realmente concretização as ameaças que fazem”. Antes, havia dito que não havia necessidade de manter Vinícius preso.
“Infelizmente, todos os dias este NAC (Núcleo de Audiência de Custódia) recebe um grande número de autuados envolvidos em crimes relacionados à Lei Maria da Penha. São comuns delitos de ameaça, de injúria, de lesões corporais, entre outros”, afirmou o magistrado. “Prender a todos, indistintamente, não parece ser o melhor caminho a seguir”.
Para justificar a prisão preventiva do autor do crime, Fernandes disse que as medidas protetivas em favor da vítima não se mostraram suficientes.
“Ao contrário! Mesmo ciente da impossibilidade de procurar a vítima, ele retornou à residência e retirou a vida dela, tentando ainda suicídio. Em tal cenário, outra providência não há senão a segregação cautelar, como forma de garantir a ordem pública, preservando inclusive a integridade dos demais familiares. Ante o exposto, converto em preventiva a prisão em flagrante de Vinícius Rodrigues de Sousa”, decidiu.
















