Nova Iguaçu: obra da Dutra danifica rede de drenagem e faz “bacalhaus”

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Com R$ 14 bilhões previstos em investimentos, ampliação da rodovia também é alvo de cobrança da Prefeitura por soluções de drenagem compatíveis com o crescimento da cidade

A Prefeitura de Nova Iguaçu acionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após técnicos identificarem danos à rede de drenagem durante as obras de ampliação da Via Dutra, realizadas pela concessionária Ecovias Rio Minas. Em alguns trechos, as tubulações danificadas não foram substituídas e receberam adaptações conhecidas no jargão de campo como “bacalhaus”. O problema foi registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais. O material foi encaminhado ao órgão ambiental, responsável pelo licenciamento da ampliação da rodovia e que também terá participação no licenciamento ambiental para a operação do empreendimento após a conclusão das obras.

Os trechos ficam no bairro Rancho Novo, entre a Rua Luís Sobral, a Avenida Nilo Peçanha e a Rua Panamá. Durante uma vistoria, equipes da Prefeitura constataram que os serviços da concessionária haviam atingido a rede de drenagem existente. Em vez da substituição das tubulações comprometidas, foram feitas adaptações para recompor os trechos danificados.

A descoberta é mais um capítulo de uma discussão que se arrasta desde 2024. A Prefeitura cobra que a ampliação da Dutra não se limite às novas pistas, mas seja acompanhada de soluções de drenagem compatíveis com uma cidade que cresceu e se adensou ao longo das últimas décadas. A água da chuva precisa ser conduzida por galerias e canais que atravessam por baixo das pistas da rodovia até chegar aos rios e demais cursos d’água. Por isso, a ampliação da Dutra precisa garantir vazão suficiente para que a água siga seu curso. Sem essas adequações, a rodovia pode funcionar como uma barreira ao escoamento, favorecendo o represamento e aumentando o risco de alagamentos nas áreas urbanizadas. Todas essas recomendações técnicas foram encaminhadas à concessionária que ignorou as solicitações e seguiu a obra sem as adequações necessárias. 

“Ninguém questiona a importância da ampliação da Dutra. É uma obra necessária e que Nova Iguaçu quer ver pronta. O que não dá é modernizar a rodovia e não olhar para a cidade que cresceu ao redor dela. A drenagem também precisa acompanhar essa transformação. E é ainda mais preocupante quando, além de não termos as adequações que estamos cobrando, encontramos tubulações danificadas pela própria obra e remendadas”, afirma o prefeito Dudu Reina.

A concessão prevê R$ 14 bilhões em investimentos, valor quase sete vezes superior ao orçamento anual de Nova Iguaçu. Desde o início das obras, financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), equipes municipais realizam vistorias, analisam projetos e apresentam propostas para evitar que as obras comprometam o escoamento das águas e agravem os alagamentos na cidade.

Em setembro de 2025, durante uma reunião entre Prefeitura, Ecovias Rio Minas e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ficou estabelecido que a concessionária apresentaria, em até 90 dias, os projetos técnicos para a ampliação da rede de drenagem. O prazo terminou sem a entrega do estudo.

Em fevereiro deste ano, durante nova vistoria, os técnicos municipais encontraram as obras avançando para a etapa de pavimentação, sem que as intervenções necessárias na drenagem tivessem sido suficientemente demonstradas.

Cobrança chegou à Justiça

Depois de notificações, reuniões e cobranças à concessionária e à ANTT, a Prefeitura recorreu à Justiça e pediu a paralisação das obras até a apresentação dos projetos e das soluções necessárias para compatibilizar a ampliação da Dutra com a rede de drenagem de Nova Iguaçu. O assunto também é acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Agora, diante dos danos identificados na rede existente, o município também pediu ao Ibama que adote as medidas cabíveis e cobre da concessionária as providências necessárias para reparar os trechos afetados e garantir que a ampliação da rodovia não comprometa o sistema de drenagem da cidade.

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